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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Clara Taís transforma dores da exclusão em livro sobre afeto e superação

Obra revisita memórias difíceis da infância e adolescência para falar de inclusão, acolhimento e coragem

Michelly Perez - 22/05/2026 • 10:09

Foto: divulgação

A história de vida de Clara Taís Cardoso Toro, ex-aluna do CEDEG/APAE (Centro de Educação Especial Girassol), ganhou forma em palavras e sentimentos no livro “PONTES DE AFETO – conectando os mundos de Clara – Histórias que aproximam, pontes que transformam”. A obra será lançada no próximo dia 28 de maio, às 14h, no CEDEG/APAE, em um evento de autógrafos que promete reunir familiares, amigos e admiradores da trajetória da autora.

Aos 30 anos, Clara decidiu transformar vivências marcadas por desafios, preconceitos e superação em um relato sensível sobre pertencimento, inclusão e afeto. Diagnosticada com deficiência intelectual, transtorno do espectro autista, atrofia cerebelar e deficiência no desenvolvimento global, ela encontrou na escrita uma maneira de revisitar dores antigas e ressignificar experiências.

O desejo de escrever nasceu ainda na infância, quando Clara tinha entre 7 e 8 anos. Décadas depois, o sonho saiu do papel com apoio da mãe, Edina Cardoso, e da amiga Mara Calvis, responsável pela organização da obra.

“Eu fui sendo a mão dela para escrever a história dela. Ela dizia o que queria contar, eu escrevia e depois lia para ela. Quando precisava, ela completava do jeito dela”, relata Edina.

Mais do que um livro autobiográfico, Pontes de Afeto traz reflexões profundas sobre acolhimento, exclusão e a importância das conexões humanas. Clara relembra momentos felizes da infância, mas também expõe episódios dolorosos da adolescência, período em que se sentia “invisível, estranha e inadequada” diante de uma inclusão que, segundo ela, muitas vezes existia apenas no discurso.

Apesar das lembranças difíceis, a narrativa não se prende à dor. Ao longo das páginas, Clara transforma experiências traumáticas em mensagens de esperança, sensibilidade e empatia.

Segundo a mãe da autora, o processo de construção da obra também teve um papel terapêutico.

“Foi curativo em vários aspectos da vida dela. Existiam situações mal resolvidas que ela não queria revisitar. Mas, nesse processo, ela enfrentou essas memórias e conseguiu superar muitas dores”, afirma.

A proposta inclusiva também aparece na estética do livro. Todo o conteúdo foi escrito em letras maiúsculas para facilitar a leitura e ampliar a acessibilidade para Clara e outros leitores que se beneficiam desse formato.

Para o CEDEG/APAE, instituição que acompanhou parte da trajetória da autora, o lançamento representa um símbolo de superação e potência.

“A Clara sempre demonstrou sensibilidade e autenticidade. Ver uma ex-aluna lançando um livro tão verdadeiro reforça a importância de acreditar nos sonhos e na voz de cada pessoa”, destacou a diretora pedagógica da unidade, Helciane Franco.

Serviço:

O evento de lançamento e venda de exemplares acontece no dia 28 de maio, às 14h, no CEDEG/APAE, em Campo Grande.

Tags: CEDEG/APAE, Comunidade, Literatura,