Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Segundo moradores, letreiros com pedido de asfalto e conclusão de obras foram retirados pela Sisep
Dayane Mendonça - 20/05/2024 • 15:54
Retirada de faixa/Rede social
A Prefeitura de Campo Grande tem se mostrado contrária a população que espera há duas décadas por asfalto na região do Jardim das Nações. Conforme os moradores, uma equipe da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) arrancou as faixas de manifestação feita pelos próprios vizinhos pedindo a pavimentação, conclusão de obra de unidade de saúde e medicamento nos postos.
Por meio das redes sociais, os moradores compartilharam a imagem de uma câmera de segurança e conseguiram provar que caminhões identificados como sendo da Sisep foram até duas das 11 faixas espalhadas pelos moradores no bairro, e as arrancaram indo contra a manifestação democrática da população.
Para a Revista A Foto, o presidente do bairro, Wanderlei Shinaider, conta que a ação aconteceu no mês de abril, depois de que moradores fizeram uma reunião e decidiram entre si, criar uma vaquinha para colocar as faixas.
“Colocamos 11 faixas espalhadas pelo bairro, nas entradas e cada uma tinha uma solicitação, asfalto, remédio nos postos de saúde, cascalho, e obra da escola de tempo integral inacabada”, detalha.
Segundo Shinaider, duas placas foram retiradas por um caminhão da Sisep, dois dias após serem colocadas na região.
“Retiraram a do asfalto e a que a gente cobra a conclusão da obra da escola, mas graças as imagens, nós conseguimos nossas faixas de volta e dois dias depois conseguimos colocá-las em seus lugares”, explica.
Para Wanderlei que é líder comunitário desde 2005 e já foi presidente do bairro anteriormente, a manifestação foi uma maneira justa da população se fazer ser vista e ouvida, já que em tantos outros momentos em mais de duas décadas, não aconteceu.
“Estamos cansados de tantas promessas, antes de tomar tal atitude tentamos reunião com a prefeita, mas ao contrário do que é dito nas redes sociais que existe um canal para ouvir a população, com os presidentes dos bairros, não é verdade, não fui ouvido”, lamenta.
Morador há 9 anos na região, Welton Andrade também confirmou que as faixas foram colocadas para mostrar a indignação dos moradores com tanto descaso com o bairro. “Pagamos nossos impostos em dia e somos esquecidos constantemente, chegou a hora de darmos um basta”, disse.
Após a manifestação por meio de faixas, a comunidade foi convocada para uma reunião onde para a surpresa dos moradores, a gestão municipal informou que o problema não é da prefeitura.
“Nos disseram que deveríamos cobrar deputados e senadores e nós estamos indo atrás, mas independente disso, a prefeitura precisa dar respostas. Um bairro com mais de 20 anos esperando asfalto. Bairro onde é localizado o Centro de pesquisa da Fiocruz, do lado da UFMS é um bairro que não deveria ficar sem asfalto”, desabafa o presidente.
Conforme os moradores, atualmente existem 22 ruas para serem asfaltadas, e conforme o presidente do bairro já tem projeto em mãos. Mesmo assim, fato que chama a atenção é que o custo da obra segundo o município mais que dobrou.
“Em 2017 estava cotado em 8 milhões, projeto agora foi para 19 milhões. Falta só asfalto e não sabem explicar o porque subiu tanto o valor do projeto”, comenta.
Assim como Shinaider, o advogado Fernando Silva, compartilha da mesma frustração e pedido de resposta.
De acordo com Fernando, a manifestação feita pela população não denegriu e nem ofendeu ninguém, para ser retirada a mando da prefeitura.
“É complicado quando você, de maneira democrática e sem ofender, faz as faixas, coloca e a própria prefeitura vai lá e tira. Cerceia a sua liberdade de protesto, de cobrança. As faixas não tinham nenhum ato, nenhuma conotação de ofensa, apenas cobranças que o cidadão e o morador têm que fazer. É complicado quando o município de maneira autoritária vai lá e tira as faixas”, desabafa.
Para Fernando, a prefeitura não concordou com as cobranças e agiu de forma seca com os manifestantes. Mas, mesmo assim, a população ainda espera uma resposta.
“Eu acho que esse tipo de manifestação sem ofender ninguém, sem querer desprestigiar ninguém, a gente tem uma certa visibilidade e a gente espera, com certeza, que isso resolva o nosso problema ali no bairro”, cita.
A reportagem entrou em contato com a prefeitura, para saber de quem veio a ordem para a retirada das faixas colocadas pelos moradores, mas até o fechamento da matéria não obteve resposta.