Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Projeto criado em Campo Grande gera renda e transforma histórias de mulheres que antes trabalhavam no anonimato
Michelly Perez - 25/03/2026 • 09:02
Foto: reprodução Fundect
Tudo começou com uma realidade comum a muitas mulheres: trabalho duro, pouca valorização e quase nenhuma visibilidade. No meio da periferia de Campo Grande, entre desafios e incertezas, nasceu uma ideia que hoje vem mudando vidas.
A República das Arteiras surgiu como um coletivo simples de costureiras, mas cresceu e se transformou em uma plataforma digital que conecta profissionais a clientes de várias partes do país. Mais do que tecnologia, o projeto virou uma rede de apoio entre mulheres que compartilham talento, dificuldades e sonhos.
A fundadora, Ivani Marques da Costa Grance, sabe bem o que é começar do zero.
“Não basta ter uma boa ideia, você tem que ter recurso. E a gente empreende a partir da periferia sul de Campo Grande, uma das que tem o maior índice de violência”, conta.
E foi justamente quando tudo parecia desmoronar, durante a pandemia, que surgiu a virada. Sem espaço físico e sem renda, Ivani voltou para casa carregando apenas seus materiais e uma esperança: fazer o projeto sobreviver.
Com a ajuda do Programa Centelha, aquela ideia ganhou força no mundo digital. O que antes era um coletivo local virou uma vitrine online, onde costureiras podem mostrar seu trabalho, conquistar clientes e negociar diretamente, sem atravessadores.
Mas o maior impacto vai além da tecnologia.
Para Sandra Lopes, que faz parte da iniciativa, o projeto trouxe algo que dinheiro nenhum compra sozinho: conexão.
“Participar dos encontros realizados pela República das Arteiras permitiu que eu tivesse trocas importantes. Muitas vezes o cliente precisa de um serviço específico de costura que eu não forneço, mas minha colega sim, assim como elas me indicam também”, diz.
Hoje, mais de 170 costureiras já foram impactadas. Mulheres que antes tinham dificuldade para conseguir clientes agora encontram oportunidades, aumentam a renda e, principalmente, passam a acreditar mais no próprio trabalho.
Além de conectar, a iniciativa também incentiva a capacitação. Muitas participantes começaram a fazer cursos, aprimorar técnicas e até ensinar outras mulheres, criando um ciclo de transformação que se espalha.
E histórias como essa podem se repetir. O Programa Centelha, que ajudou a impulsionar o projeto, abre uma nova edição nos próximos dias, com milhões em investimentos para tirar ideias do papel.
A proposta é simples: dar oportunidade para quem tem uma boa ideia, mas ainda não teve chance de colocá-la em prática.
Porque, assim como na República das Arteiras, às vezes tudo o que falta para mudar uma vida é alguém acreditar — e dar o primeiro apoio.
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