ícone whatsapp

Comunidade • Confira tudo que você precisa saber sobre a comunidade

Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

Do Pantanal para o mundo: a ciência com raízes na terra que levou pesquisadora da UFMS ao topo global

Trajetória da professora Letícia Garcia une ciência, território e soluções para enfrentar a crise climática

Michelly Perez - 24/04/2026 • 10:06

Foto: UFMS

Em meio a mapas, dados e análises complexas sobre o futuro do planeta, há uma história que começa longe dos grandes centros científicos — nasce no chão vivo do Cerrado e do Pantanal, onde a ciência não é apenas estudo, mas compromisso com a vida.

A professora Letícia Garcia, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, acaba de alcançar um feito inédito: foi reconhecida como Campeã Nacional do Brasil no Prêmio Frontiers Planet, uma das mais importantes premiações globais voltadas à saúde do planeta.

Mas por trás do título internacional, há uma trajetória construída com persistência, pesquisa de campo e uma conexão profunda com os territórios que estuda.

Ciência que nasce do território

A pesquisa que levou Letícia ao reconhecimento mundial não surgiu apenas de laboratórios. Ela percorre paisagens, dialoga com a biodiversidade e busca respostas urgentes para um dos maiores desafios da atualidade: as mudanças climáticas.

Seu estudo mapeia áreas do Brasil mais resilientes às transformações do clima — regiões onde a natureza ainda resiste e pode ensinar caminhos para o futuro.

É uma ciência que olha para frente, mas que também valoriza o que já existe. Ao identificar territórios mais fortes diante da crise ambiental, a pesquisadora ajuda a orientar políticas públicas, estratégias de conservação e até modelos produtivos mais sustentáveis.

Raízes que conectam ciência e sociedade

Ao longo da carreira, Letícia construiu uma atuação que ultrapassa os muros da universidade. Coordenadora de projetos e orientadora de novos pesquisadores, ela também tem uma trajetória marcada pela aproximação com comunidades e povos tradicionais.

Em uma de suas iniciativas, liderou ações de restauração ambiental envolvendo o plantio de espécies raras e culturalmente importantes, como o pau-santo, em parceria com comunidades indígenas.

Esse tipo de trabalho revela uma característica essencial de sua trajetória: a ciência como ponte — entre conhecimento acadêmico, saberes tradicionais e soluções reais.

Um feito inédito — e simbólico

A conquista de Letícia não é apenas individual. É a primeira vez que a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e o próprio estado alcançam esse reconhecimento internacional.

Agora, ela segue para a etapa global do prêmio, onde concorre com cientistas de diferentes partes do mundo e pode conquistar até US$ 1 milhão para ampliar suas pesquisas.

Mais do que o valor financeiro, o que está em jogo é a visibilidade de uma ciência feita no interior do Brasil — longe dos grandes centros, mas profundamente conectada aos desafios globais.

Quando a ciência tem alma

A trajetória de Letícia Garcia mostra que a ciência não é apenas sobre números, artigos ou prêmios. É sobre escolhas: olhar para o território, ouvir a natureza, construir soluções.

É sobre entender que, no meio da crise climática, há também esperança — e ela pode nascer exatamente onde poucos olham.

Tags: Comunidade, Letícia Garcia, UFMS,