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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Do presídio aos palcos: o clarinetista de Corumbá que superou o impossível e pede ajuda para estudar na UFRJ

Conheça a história de Ewerton Guimarães, o jovem talento do Moinho Cultural que precisa de instrumentos próprios para não interromper seu sonho

Michelly Perez - 18/02/2026 • 09:55

Foto: divulgação

A trajetória de Ewerton Guimarães, de 19 anos, parece o roteiro de um filme sobre superação, mas é a realidade nua e crua de um jovem sul-mato-grossense que escolheu a música como sua tábua de salvação. Natural de Corumbá, na fronteira com a Bolívia, Ewerton viveu seus primeiros anos de vida entre a creche e o presídio, onde acompanhava sua mãe biológica. Dormindo em locais insalubres e enfrentando doenças constantes, o destino parecia traçado pela escassez.

Tudo mudou quando foi acolhido por uma nova família e, aos 7 anos, ingressou no Instituto Moinho Cultural Sul-Americano. Ali, o menino que enfrentava barreiras burocráticas até para estudar ou viajar, encontrou a clarineta. O que era apenas uma atividade extracurricular tornou-se vocação, pertencimento e, acima de tudo, esperança.

Talento que Rompeu Fronteiras

A dedicação de Ewerton o levou longe. Em 2019, seu talento chamou a atenção de Márcio Costa, primeiro clarinetista da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Através do projeto “Conexões Musicais”, o jovem de Corumbá passou a ser orientado por um dos maiores nomes do país.

O ápice dessa jornada aconteceu em 2025: uma imersão de seis meses no Rio de Janeiro, vivendo a rotina da OSB. Ewerton não foi apenas um espectador; ele subiu ao palco como solista, executando o complexo Concertino de Weber com a própria orquestra — um feito extraordinário para um jovem de sua origem.

A Luta pela Dignidade Profissional

Hoje, o currículo de Ewerton impressiona: já foi aprovado na OSB Jovem e no Teste de Habilidade Específica (THE) para o curso de Bacharelado na UFRJ. No entanto, um obstáculo técnico ameaça estagnar essa ascensão meteórica: ele não possui instrumentos próprios.

“A clarineta que utilizo hoje pertence ao Moinho Cultural. No Rio de Janeiro, só consegui ensaiar e me apresentar porque os músicos da OSB, com extrema generosidade, me emprestaram seus instrumentos”, conta o músico.

Para cursar a faculdade e atuar profissionalmente, o clarinetista precisa obrigatoriamente de um par de instrumentos (em Si bemol e em Lá). Sem eles, Ewerton corre o risco de perder as vagas que conquistou com tanto suor.

Como Ajudar?

Ewerton lançou uma campanha de arrecadação (vaquinha) para adquirir seu par de clarinetas. Para ele, esses instrumentos não são luxo, mas ferramentas de trabalho e símbolos de dignidade.

A história de Ewerton Guimarães é a prova viva de que a arte pode transformar destinos. Agora, cabe a nós garantir que o som de sua clarineta continue a ecoar nos maiores teatros do Brasil.

Tags: musica, Solidariedade, Sonhos,