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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

“Eu disse sim na hora”: Conheça a história da moradora de MS que doou medula para salvar paciente

Após manter cadastro ativo por mais de uma década, Renata viajou para São Paulo para realizar o procedimento e incentiva novos doadores

Michelly Perez - 09/03/2026 • 08:55

Foto: Divulgação SES

Imagine guardar um compromisso por 13 anos sem saber exatamente quando — ou se — seria chamado. Para a empresária Renata Rodrigues, de 31 anos, esse chamado não veio em forma de agenda, mas como a chance real de salvar uma vida.

Tudo começou na adolescência, em uma campanha de doação de sangue em Ribas do Rio Pardo. Na época, com 18 anos, ela deu um passo além e entrou para o Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). “Perguntei se doía, me explicaram que a compatibilidade era rara, mas que se acontecesse, me ligariam”, recorda.

Renata seguiu a vida. Casou, tornou-se mãe e abriu sua loja de roupas infantis. O que ela nunca fez, no entanto, foi mudar o número de telefone ou o endereço no cadastro. E foi essa constância que permitiu que o telefone tocasse no ano passado com a notícia que mudaria duas vidas: a dela e a de um paciente brasileiro que aguardava por um transplante.

O desafio da distância e o colo da mãe

Quando a confirmação da compatibilidade chegou, Renata não hesitou. “Eu disse sim na hora”, conta. O maior desafio, porém, não foi o procedimento médico, mas o coração de mãe. Com dois filhos pequenos — Liz, de 7 anos, e Leonardo, na época com pouco mais de 1 ano —, ela precisou organizar a rotina para passar nove dias em São Paulo.

O desapego temporário valeu a pena. O método utilizado foi a aférese, onde as células são doadas de forma semelhante a uma doação de sangue, sem necessidade de cirurgia. Foram seis horas ligada ao equipamento que separava as células de esperança.

“Ficar longe deles pesou muito, mas eu sabia que era por uma causa valiosa. Quando a médica disse que tinha dado certo, eu desabei. Foi uma emoção única”, revela Renata.

Um presente anônimo

Pelas regras de doação, Renata não conhece o rosto de quem recebeu sua medula. Sabe apenas que é um brasileiro. Mas para ela, os detalhes não importam diante da certeza do impacto. “A gente pensa na pessoa que está do outro lado esperando. Espero que seja um recomeço”.

De volta à sua rotina em Ribas do Rio Pardo, ela agora carrega uma nova missão: ser embaixadora da causa. Em sua loja, entre um atendimento e outro, ela compartilha sua experiência para incentivar novos doadores.

Como ser um herói na vida real?

Em Mato Grosso do Sul, histórias como a de Renata são celebradas pelo Hemosul, que já soma quase 200 mil doadores cadastrados. Para entrar nessa corrente, o processo é simples:

  • Idade: Entre 18 e 35 anos.

  • Saúde: Estar em bom estado geral e não ter doenças infecciosas.

  • Onde ir: Procure o Hemosul em Campo Grande ou nas unidades do interior.

  • Dica de ouro: Assim como a Renata, mantenha seus dados sempre atualizados no site do Redome.

“É algo que pode mudar completamente a vida de alguém”, finaliza a doadora, com o sorriso de quem sabe que, em algum lugar do Brasil, alguém respira mais aliviado graças ao seu “sim”.

Tags: Medula, Ribas do Rio Pardo, Solidariedade,