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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Família reencontra juiz que autorizou a adoção de menino com paralisia há 20 anos

"Ela me disse que só poderia oferecer amor e que sabia que Deus proveria o resto", relembra o magistrado

Michelly Perez - 22/05/2025 • 07:22

Foto: TJMS

A família de Clarice Maria Concio viveu nesta semana um reencontro emocionante com o juiz David de Oliveira, que autorizou a adoção de Marcos Concio em 2006, quando atuava em Coxim. O garoto que nasceu com paralisia cerebral, estava há quase sete anos em um abrigo da cidade, até que Clarice quis adotá-lo.
“Na época, o juiz me falou que o que eu estava levando para casa não era um objeto, era uma criança que precisava de amor e cuidados. Ele me perguntou se eu aceitava o desafio de ser a mãe dele e eu aceitei. Disse que não tinha condição financeira, mas que amor não faltava na minha família”, relembrou Clarice, que também adotou Daiane Concio de Oliveira, de 26 anos – ela também tem paralisia cerebral e necessita de cuidados especiais.
O reencontro entre o juiz David e a família foi um momento de grande emoção, especialmente para ele, que pôde ver, com seus próprios olhos, o impacto positivo de sua decisão.
“Saber que, de alguma forma, fiz parte daquela história, me encheu o coração de alegria e de orgulho. O Marquinhos nasceu com uma doença rara, era uma criança com poucos anos de idade, talvez 1 ou 2 anos quando o conheci. Vivia totalmente dependente dos cuidadores e com frequência me perguntava como poderia ajudá-lo”, disse o magistrado emocionado.

Carinho que tranforma

David conta que, quando foi conhecer a realidade de dona Clarice, encontrou uma mulher com dificuldades materiais. Morava numa casa simples, tinha outros filhos e sua renda era pouca. Ele lembra que, naquele momento, ficou desanimado com as perspectivas. Mas depois de conversar com Clarice e os demais membros da família, o juiz se convenceu de que eles poderiam dar tudo o que Marcos mais precisava: carinho, cuidado e atenção.
“Ela me disse que só poderia oferecer amor para aquela criança e que sabia que Deus proveria o resto. Acreditei nela, e ela conseguiu adotar o Marquinhos. Por um bom tempo, a assistência social e o Conselho Tutelar fizeram um acompanhamento daquela família”, lembra o juiz.
Hoje, Marquinhos, com 29 anos, vive de forma plena, cercado por uma família que o ama e o apoia em todas as suas necessidades. Clarice, que há mais de duas décadas decidiu acolher Marquinhos como seu filho, sabe que o amor é a maior riqueza que se pode oferecer a uma criança.

Tags: adoção, exposição, TJMS,