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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Há um ano, ‘Horta da Esperança’ tem apoio de detentos em Campo Grande

Horta transformou e ressocializou presos, oferecendo ocupação e oportunidade

Da redação - 24/01/2024 • 11:00

Horta da Esperança/Divulgação governo de MS

Implantada há aproximadamente um ano, a ‘Horta da Esperança’ no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira (CPAIG), em Campo Grande, tem se revelado uma ferramenta eficaz na conscientização, redução de pena e ressocialização de detentos. Desde o plantio até a colheita, os reeducandos recebem treinamento e orientação técnica, promovendo uma conexão significativa com a natureza.

O projeto é uma iniciativa conjunta entre o Governo do Estado, Tribunal de Justiça e Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), com a colaboração da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), 2ª Vara de Execução Penal e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). Empresas do ramo de horticultura também apoiam a inciativa.

Thiago Escobar, supervisor de campo da ATeG Horticultura, destaca o papel crucial do Senar no suporte ao aumento da produção e qualidade dos alimentos, enfatizando a importância da sustentabilidade através de práticas como a rotação de culturas e o uso responsável de defensivos agrícolas.

Um dos reeducandos compartilha sua experiência: “Eu moro em um sítio e mexer com a natureza traz mais energia para mim. Plantar e colher me ajuda cada dia mais a sobreviver. Se eu entrei fraco aqui, vou sair mais forte, com uma profissão que eu possa atuar, trabalhar, produzir e procurar fazer o certo a partir de agora.”

A horta não apenas visa capacitar e ocupar produtivamente os detentos, mas também contribui para a sociedade. O diretor do CPAIG, Adiel Barbosa, ressalta as doações feitas para escolas e hospitais, além da venda das mercadorias para empresas parceiras, garantindo a autossustentabilidade do projeto.

Atualmente, oito reeducandos participam do programa, recebendo remição de um dia na pena a cada três de serviços prestados, conforme estabelecido pela Lei de Execução Penal (LEP), além de uma remuneração equivalente a um salário mínimo.

Welligton Valadão, técnico de campo e engenheiro agrônomo, detalha o processo de produção, enfatizando que mais de 20 culturas são cultivadas. Em 2023, a horta alcançou a marca de 25 toneladas de alimentos, com 20% destinados a doações e 80% vendidos a fornecedores da unidade.

Outro detento destaca a oportunidade de aprender novas habilidades: “Eu quis trabalhar na horta para não precisar ir para a rua, e porque aqui é um bom lugar para se estar. Aprendi a plantar, colher, mexer com a terra e adubar. A minha parte favorita é plantar, porque é legal ver ela crescer e se desenvolver.”

A ‘Horta da Esperança’ emerge como um exemplo inspirador de como a agricultura pode ser uma ferramenta eficaz na reintegração social, oferecendo aos detentos não apenas uma ocupação produtiva, mas também uma oportunidade de construir um futuro mais promissor.