Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Busca pela educação dos filhos transformou a vida familiar e fortaleceu vínculos com a comunidade escolar
Michelly Perez - 05/05/2026 • 10:00
Foto: divulgação PMCG
No mês em que se celebra o Dia das Mães, histórias reais mostram que o amor materno não cabe em palavras — ele se revela em escolhas. E, muitas vezes, em recomeços. Para a servidora pública Carla Aline Candado de Rezende, ser mãe foi também se reencontrar, reconstruir caminhos e reinventar a própria rotina para estar onde seus filhos mais precisavam.
Inspetora da Escola Municipal Agrícola Barão do Rio Branco, ela decidiu mudar completamente a vida da família ao se transferir para a zona rural de Campo Grande, tudo para ficar mais próxima da escola onde os três filhos, Micaela (4º ano), Carlos (6º ano) e João Marcelo (8º ano) estudam. Este último é autista e precisava de um ambiente acolhedor e de uma rotina mais estável.
A decisão começou a tomar forma em abril do ano passado, após a matrícula dos filhos. O que parecia um desafio logístico — longas distâncias, cansaço e dificuldades diárias — acabou se transformando em uma escolha de vida. Em junho, a família já estava de mudança feita.
O contato com a proposta da escola, baseada em atividades práticas, contato com a natureza e um ambiente mais humano, fez com que Carla enxergasse ali mais do que um espaço de ensino: um lugar de acolhimento, crescimento e cuidado.
“Vale muito a pena”, resume, com a certeza de quem encontrou o caminho.
A nova rotina trouxe mais do que praticidade. Trouxe presença. Morando ao lado da escola, os filhos Micaela, Carlos e João Marcelo passaram a viver o dia a dia com mais tranquilidade, enquanto Carla ganhou o que muitas mães buscam: tempo de qualidade.
“Hoje é uma vida mais calma. A gente consegue acompanhar de perto cada passo deles”, conta.
E foi nesse novo cenário que ela também passou a exercer outra função — a de inspetora na mesma escola. Um papel que exige equilíbrio, firmeza e sensibilidade.
“Na escola, eu não sou mãe. Sou funcionária. Eles sabem que precisam seguir as mesmas regras”, explica.
Mas é justamente nessa linha tênue entre o cuidar e o educar que o maternar se revela em sua forma mais profunda: aquela que ensina autonomia, respeito e convivência.
O acolhimento encontrado pela família também marcou a trajetória. Pequenos gestos ganharam grandes significados.
“Teve um dia em que os colegas ajudaram meu filho a amarrar o tênis de um jeito adaptado. Pode parecer simples, mas isso ficou no meu coração”, relembra.
Para Carla, ser mãe é isso: perceber o extraordinário no cotidiano, encontrar beleza nos detalhes e seguir, todos os dias, escolhendo estar presente.
Mais do que uma mudança de endereço, sua história é sobre transformação. Sobre entender que o amor de mãe vai além do cuidado — ele move, adapta, recomeça.
Porque ser mãe é, acima de tudo, viver o maternar. É se reinventar pelos filhos. É descobrir, a cada dia, novas formas de amar.
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