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Conheça a história do menino que desafiou o tempo, a distância e o medo para renascer no Dia das Crianças
Michelly Perez - 04/11/2025 • 11:09
Foto: divulgação-Humap-UFMS
Por trás do sorriso tímido e dos olhos atentos de João Guilherme Morales dos Santos, de apenas 7 anos, existe uma história que começa antes mesmo do primeiro choro. Desde o nascimento, a vida do menino foi costurada com coragem, fé e paciência — entre internações, exames e esperas silenciosas.
Diagnosticado com problemas renais ainda bebê, João cresceu no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), cercado por médicos e enfermeiras que se tornaram família. Ali, a infância se misturou a termos que nenhuma criança deveria conhecer: “diálise”, “transplante”, “fila de espera”. Mas ele aprendeu a sorrir entre uma punção e outra — e a mãe, Gilmara Machado, nunca deixou a esperança se apagar.
No dia 21 de outubro, quando a notícia tão sonhada chegou — havia um rim compatível —, João estava em Dourados e o transplante seria feito em Belo Horizonte (MG). A mãe, grávida e impossibilitada de viajar, viu na própria mãe, dona Sirlene Morales, a força que guiaria o neto até o novo começo.
O caminho foi uma verdadeira corrida contra o tempo: voo atrasado, conexão perdida e o medo de não chegar a tempo. Mas, como em toda boa história de fé, o improvável aconteceu. Avó e neto conseguiram um novo embarque e, finalmente, chegaram ao destino. “Foi muita emoção, tudo ao mesmo tempo: felicidade, preocupação e alegria. Lutamos anos por esse momento”, relembra Gilmara.
Na noite de 22 de outubro, por volta das 20h, o milagre aconteceu. João entrou na sala de cirurgia e saiu com um novo rim funcionando, abrindo um capítulo que sua família sonhava escrever há anos. Hoje, ele se recupera bem, com o brilho no olhar de quem recebeu um presente de Dia das Crianças diretamente das mãos da vida.
O diagnóstico que mudou tudo veio ainda nos primeiros meses: válvula de uretra posterior, uma obstrução que comprometeu rins, bexiga e vias urinárias. Aos três meses, João passou por cirurgia, mas o tratamento foi longo — entre diálise peritoneal e hemodiálise, a rotina se tornou uma lição de resistência.
No Humap-UFMS, João e a família encontraram mais do que atendimento: encontraram amor. “Além de ótimos médicos, há enfermeiras maravilhosas que cuidaram não só dos pacientes, mas também dos acompanhantes. Agradeço, em especial, à nefrologista Flávia, que desde o início nos acolheu em todas as formas possíveis”, conta Gilmara, emocionada.
Hoje, João sonha com o que parecia distante: brincar no quintal, voltar à escola, conhecer o irmãozinho que está prestes a nascer. E, entre os sorrisos tímidos e as pequenas vitórias diárias, sua história lembra ao mundo que a esperança não tem idade — e que a vida sempre dá um jeito de recomeçar.
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