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Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

O retrato da esperança: O “sim” que venceu o luto e salvou Três Vidas

HU-UFGD realiza captação histórica de órgãos em Dourados; generosidade de doadora salva pacientes no MS e no Rio Grande do Sul

Michelly Perez - 20/02/2026 • 07:52

Foto: Humap-UFGD

No vocabulário médico, o termo é “captação”. No dicionário da vida, o nome é legado. No último dia 4 de fevereiro, os corredores do Hospital Universitário da Universidade Federal de Dourados foram palco de uma mobilização que silenciou a dor da perda para dar lugar à pulsação da esperança.  Após um hiato de mais de dois anos sem procedimentos desse tipo, uma corrente de solidariedade permitiu que três vidas ganhassem um novo começo.

O transporte de um órgão é a parte visível de uma rede invisível de solidariedade

A protagonista desse ato de amor foi uma mulher de 44 anos. Internada em estado grave desde o final de janeiro, ela teve a morte encefálica confirmada. Mas sua história não terminou ali. Como já havia manifestado em vida o desejo de ser doadora, sua voz ecoou através de sua família, que respeitou sua vontade em um momento de profunda tristeza.

Engrenagem da empatia

O processo de doação é uma corrida contra o tempo que exige precisão técnica e, acima de tudo, sensibilidade. A psicóloga Larissa Beatriz Andreatta, que atua na UTI Adulto, destaca que o acolhimento é a base de tudo. É a Equipe Hospitalar de Doação de Transplante (e-DOT) que entra em cena para abraçar a família e transformar o luto em uma oportunidade de salvar o próximo.

“Ainda encontramos dificuldades, pois é um assunto pouco discutido em casa. Algumas famílias recusam a doação por desconhecer o desejo do paciente”, alerta a enfermeira Ely Bueno da Silva Bispo, coordenadora da e-DOT. Segundo ela, o diálogo em vida é a moldura que facilita essa decisão difícil.

Logística de mil quilômetros

A cirurgia, que durou cerca de três horas, envolveu uma rede complexa. Uma equipe vinda de Campo Grande, liderada pelo cirurgião Gustavo Rapassi, uniu-se aos profissionais de Dourados. O resultado dessa união de esforços cruzou fronteiras:

  • O Fígado: Foi para um paciente na capital, Campo Grande, que aguardava há muito tempo na fila.

  • Os Rins: Viajaram para o Rio Grande do Sul, atendendo a critérios de compatibilidade do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Para o Dr. Rapassi, cada doação é uma “surpresa boa” que reforça a importância do trabalho em rede. Onde a vida parece se apagar em um ponto do mapa, ela se reacende em outro, provando que a distância é curta para quem carrega o dom de salvar.

Foco no Futuro

A última vez que o HU havia registrado um gesto assim foi em outubro de 2023, quando a família de uma criança de três anos também disse “sim” à vida. Agora, em 2026, o hospital reafirma seu papel não apenas como centro de saúde, mas como um elo vital na corrente humana de doações.

Fica o convite para a reflexão: você já avisou sua família que é um doador? Uma conversa hoje pode ser a fotografia do amanhã para quem ainda espera por um milagre.

Tags: Doação de órgãos, HU-UFGD, Solidariedade,