Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Tecnologia incorporada ao SUS estima idade gestacional com precisão e pode auxiliar no atendimento de recém-nascidos em áreas remotas
Michelly Perez - 02/06/2026 • 08:48
Foto: UFMS
Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) participaram da validação de uma tecnologia inovadora que promete transformar a assistência neonatal no Sistema Único de Saúde (SUS). O dispositivo, chamado PreemieTest®, é capaz de estimar a idade gestacional de recém-nascidos por meio da análise da pele do bebê, auxiliando na identificação de prematuros e na tomada de decisões nos primeiros minutos de vida.
O estudo contou com a participação de pesquisadores do Instituto Integrado de Saúde (Inisa) e da Faculdade de Medicina (Famed) da UFMS, que integraram uma rede nacional coordenada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Em Campo Grande, cerca de 400 recém-nascidos foram avaliados durante a pesquisa, realizada no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), na Maternidade Cândido Mariano e na Casa de Parto Florescer.
Segundo a professora e pesquisadora Daniele Soares Marangoni, coordenadora da equipe da UFMS, o equipamento utiliza um princípio inovador baseado na leitura óptica da pele do bebê.
“A tecnologia analisa a maturidade da pele de forma rápida, indolor e não invasiva, permitindo estimar a idade gestacional com precisão próxima à da ultrassonografia precoce”, explica.
A informação é considerada fundamental para definir os cuidados necessários logo após o nascimento. De acordo com os pesquisadores, o dispositivo também consegue estimar o risco de o recém-nascido precisar de suporte respiratório, internação em UTI Neonatal ou desenvolver complicações associadas à prematuridade.
Um dos diferenciais do PreemieTest® é a facilidade de uso. O equipamento não exige profissionais altamente especializados para operação, o que amplia seu potencial de aplicação em regiões com dificuldade de acesso a especialistas.
A expectativa é que a tecnologia seja utilizada inicialmente nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), fortalecendo o atendimento neonatal em comunidades mais afastadas dos grandes centros.
“O primeiro minuto de vida é decisivo para o recém-nascido. Ter uma ferramenta capaz de fornecer informações rápidas e confiáveis pode fazer diferença na definição das condutas médicas”, destaca Daniele.
O estudo multicêntrico avaliou mais de 5 mil recém-nascidos em diferentes regiões do Brasil e em Honduras. A pesquisa envolveu instituições como UFMS, UFAM, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Hospital Sofia Feldman, de Minas Gerais, e a Universidade Nacional Autônoma de Honduras.
Os resultados obtidos em condições reais de uso foram fundamentais para apoiar a incorporação da tecnologia ao SUS, onde a expectativa é que contribua para reduzir mortes evitáveis e aprimorar a assistência neonatal.
Para os pesquisadores, a inovação representa um avanço importante na democratização do acesso a ferramentas de diagnóstico e no fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde materno-infantil.