Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Wendy Santos Pereira celebra formatura com cocar terena, tornando-se o pioneiro surdo a se formar na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul
Da redação - 22/01/2024 • 11:00
Indígena/Foto: Álvaro Herculano
Wendy Santos Pereira, um jovem indígena terena de 24 anos, fez história ao se tornar o primeiro indígena surdo a se formar na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Sua jornada acadêmica culminou em um diploma de bacharelado em Audiovisual, e na cerimônia de formatura, seu cocar étnico terena se destacou entre as becas dos colegas.
Desde sempre, Wendy sonhava em cursar Audiovisual e, após ser aprovado no vestibular da UFMS, dedicou-se incansavelmente para superar os desafios ao longo da faculdade. Com o diploma em mãos, ele agora almeja ser a mudança necessária na área audiovisual.
Durante a colação de grau, Wendy compartilhou o Ginásio Moreninho com outros 220 formandos, evidenciando não apenas sua realização pessoal, mas também sua contribuição para a diversidade no ensino superior.
Em suas palavras, Wendy ressaltou as dificuldades enfrentadas pelos surdos na área audiovisual: “É muito mais fácil encontrar áudio descrição de um filme do que filmes com o quadro de tradução em libras”. Seu objetivo é reforçar a representatividade, especialmente para a comunidade surda, e tornar-se um agente de mudança na indústria.
O cineasta formado destacou a importância da inclusão dos surdos na sociedade, instando profissionais de todas as áreas a se capacitarem para trabalhar de maneira inclusiva. Para ele, a preocupação com o público surdo no audiovisual e em outros cursos é essencial.
Na emocionante cerimônia de colação de grau, Wendy trocou o tradicional chapéu de beca por um cocar da etnia terena, simbolizando sua identidade e orgulho cultural. A diretora da Faculdade de Ciências Humanas da UFMS, Vivina Dias Sol Queiroz, elogiou a diversidade da universidade e instigou os formandos a serem éticos e comprometidos com a construção de um mundo inclusivo.
Shirley Vilhalva, professora de Educação da faculdade, celebrou a conquista de Wendy nas redes sociais, destacando a importância de sua vitória para a comunidade acadêmica. O jovem indígena agora se prepara para seguir carreira no audiovisual, consciente do impacto que sua presença e realização têm na promoção da diversidade e inclusão.