Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Pesquisador identificou que vestígios de moscas podem virar aliados da perícia quando outras provas já desapareceram
Michelly Perez - 25/02/2026 • 10:10
Foto: Divulgação
O trabalho do médico-legista Guido Vieira Gomes, da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, colocou o Estado em evidência no campo da ciência forense. A pesquisa do perito foi publicada por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e apresenta avanços promissores para a medicina legal.
O estudo, fruto de doutorado defendido em 2025, investiga o uso de pupários de moscas — estruturas que permanecem no ambiente mesmo em estágios avançados de decomposição — como fonte de evidências em casos envolvendo disparos de arma de fogo.

Amostras de pupários analisadas no estudo
“Em ocorrências envolvendo corpos esqueletizados ou em decomposição avançada, a determinação da causa do óbito se torna um desafio. A análise de pupários pode representar uma fonte complementar de vestígios”, explica.
A proposta amplia o uso da entomologia forense e oferece uma alternativa quando vestígios tradicionais já não estão disponíveis. Na prática, a pesquisa demonstrou que é possível identificar resíduos de tiro nesses vestígios biológicos, o que pode ajudar peritos a esclarecer a causa da morte em situações complexas.
A iniciativa nasceu da experiência direta do pesquisador na rotina pericial e busca aproximar ainda mais a ciência acadêmica das demandas reais das investigações.
O avanço é visto como um reforço importante para a qualidade dos laudos periciais e para a elucidação de crimes, mostrando como a produção científica local pode gerar impacto concreto na segurança pública.
“A integração entre ciência e prática fortalece a qualidade técnica dos laudos e amplia as possibilidades de esclarecimento de casos”, afirma.
Com a publicação, o trabalho de Guido Vieira Gomes projeta Mato Grosso do Sul no cenário da pesquisa aplicada e evidencia o papel estratégico da ciência forense desenvolvida no Estado.
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