Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Método humanizado, implementado no hospital, também auxilia na progressão da saúde dos recém-nascidos
Michelly Perez - 04/05/2024 • 13:00
Bebês prematuros/ Reprodução: Santa Casa
De janeiro até março deste ano de 2024, 839 bebês nasceram na Santa Casa de Campo Grande. Desse número, 58 bebês permaneceram no Centro Obstétrico aguardando vagas, ou seja, a cada 15 nascimentos, um deles precisou de atendimento na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal.
Chamados de prematuros, eles nasceram antes da 37ª semana de gestação, por isso, passam por procedimentos dolorosos como punções e coletas de exames, exposição à luz, ruído e manipulação constante.
Para aliviar as tensões, a Linha Pediátrica da Santa Casa implementou o método da rede de descanso, que faz com que esses bebês fiquem em posição semelhante como ficaram no útero da mãe.
“São procedimentos dolorosos; temos estudos que afirmam que esses prematuros passam às vezes por 100 procedimentos dolorosos por dia. Então, os colocamos eles nessa rede terapêutica para simular como se estivessem dentro do útero da mãe. E aí temos melhorias para esse bebê, como frequência cardíaca, saturação e estresse”, explica a fisioterapeuta da Santa Casa, Aline Gomes.
“Vira para um lado, vira para o outro”, Aline também esclarece que essa proposta de humanização é decidida por um tempo determinado. “Geralmente é meio período, de duas ou três horas. Dependendo da situação, podemos estender mais tempo na rede. Já tivemos bebê que ficou seis horas na “redinha”, não só na mesma posição, viramos um pouquinho, viramos para o outro lado, fazemos os cuidados que precisamos fazer, mas mantemos ele na rede”, destaca.
No caso de bebês maiores, segundo a neonatologista da Santa Casa Adélia Rezende Lopes, que confeccionou e forneceu as atuais redes de descanso para a UTI Neo no ano passado, o método pode ser adaptado. “Os maiores, que ficam no berço, fazemos um carrinho para colocar a ‘redinha’, porque precisa ajustar de outra maneira. Já os bebês que estão na incubadora, ficam na própria incubadora, mas os que são maiores têm um carrinho e aí faremos uma adaptação”, afirma.
O método ainda é visto como otimizador do desenvolvimento, induzindo vários estímulos, proporcionando o alinhamento postural, além de redução de gastos de energia. Porém, a fisioterapeuta Aline ressalta que a rede de descanso não é utilizada em todos os casos.
“Não conseguimos colocar bebês instáveis, bebês que estão em ventilação mecânica ou uso de drogas, porque precisamos ter uma segurança, nem bebês muito ativos, que ficam se mexendo a todo momento”, finaliza.
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