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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

100% dos incêndios no Pantanal foram causados por ação humana, diz especialista

Dados fazem referência aos focos registrados desde maio até agora, reforça a pesquisa do LASA

Michelly Perez - 20/09/2024 • 11:15

Foto: Bruno Rezende/Arquivo

A doutora em geociências Renata Libonati, coordenadora do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro confirmou que desde maio até agora, não houve nenhuma ocorrência no Pantanal de incêndio começado por raio, com base no monitoramento por satélite e com dados de descargas atmosféricas. “Isso nos indica que é fogo humano”.

Pesquisadora Renata Libonati. Foto: Environmental Justice Foundation

A declaração foi dada durante entrevista para a Agência Brasil  na manhã desta sexta-feira (20), a especialista ainda indicou que é possível obter um padrão em todos os incêndios que acontecem no Brasil, onde cerca de 1% são originados por raios. “Todos os outros 99% são originados de ação humana”, reforçou.

No Pantanal, do início do ano até 18 de setembro, já teve cerca de 12,8% da sua área queimada. Fazendo um comparativo com 2020, o pior ano já registrado, 2020 queimou no ano todo cerca de 30% do bioma. A média anual que o Pantanal queima é em torno de 8%. Então, 2020 foi muito acima e 2024 também ultrapassou a média de porcentagem diária atingida. Isso representa cerca de 1,9 milhão de hectares queimados em 2024 [para efeito de comparação, o estado do Sergipe tem quase 2,2 milhão de hectares].

Questionada se existe uma interferência das atividades econômicas na ocorrência desses registros, Renata Libonati cita que uma das principais causas, é o desmatamento para o uso de terra.

“A ocorrência dos incêndios no Brasil está intimamente relacionada ao uso da terra, às atividades econômicas, principalmente, ligadas ao desmatamento para abrir áreas de pastagem e agricultura e, quando já está consolidado, muitas vezes se utiliza o fogo por várias razões, e isso causa os grandes incêndios que estamos observando”, explica.

A pesquisadora é responsável pelo sistema Alarmes, um monitoramento diário por meio de imagens de satélite e emissão de alertas sobre presença de fogo na vegetação. Ao relacionar os dados com a proibição vigente de colocar fogo em vegetação, ela afirma que “todos esses incêndios, mesmo que não tenham sido intencionais, são de alguma forma criminosos”, disse em entrevista.

Com base em dados que ficam disponíveis a cada 24h, a professora constata que “a situação é muito crítica”. Em relação ao Cerrado e o Pantanal, ela ressalta que a presença das chamas está “muito próxima do máximo histórico”. (com informações Agência Brasil)

Tags: crime, Pantanal, Queimadas,