Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Trabalhos devem permanecer até o início de 2025 e demandam análise completa para o reflorestamento
Michelly Perez - 09/12/2024 • 14:01
Fotos: Divulgação-IHP
Apesar da temporada de chuvas, membros da Brigada Alto Pantanal seguem trabalhando no monitoramento de áreas atingidas pelo fogo na região da Serra do Amolar. Desde o começo do mês brigadistas estão auxiliando pesquisadores na avaliação do impacto dos incêndios para a biodiversidade e também realizando a manutenção no viveiro de mudas da Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal.
Atualmente, os trabalhos se concentram na avaliação das mudas que podem ser retiradas de tubetes para irem ao solo, bem como preparação da terra para plantio. Os procedimentos para recuperação vão prosseguir por dezembro e janeiro de 2025.
O chefe da brigada, Manoel Garcia, explica que esse trabalho de monitoramento e manutenção envolve uma série de atividades, com deslocamentos de mais de 10 km a pé. “Fomos realizar uma primeira avaliação de onde o fogo passou e tínhamos plantado 25 mil mudas. Em 2020, essa região foi completamente atingida, conseguimos evitar essa situação em 2021, 2022 e 2023. Infelizmente, neste ano a gente viu uma situação extrema de vento, calor e o fogo conseguiu avançar. Felizmente, o viveiro ficou resguardado.”
A assistente técnica no IHP, responsável pelo viveiro, Cristiane Brigitte dos Santos atua diariamente na manutenção do local, que está com cerca de 7 mil mudas de diferentes tamanhos e espécies como aroeiras (Astronium urundeuva), jacarandás (Jacaranda cuspidifolia), piúvas (Tabebuia heptaphylla), entre outras, e também atua nas áreas de recuperação.

Análise é essencial para entender os impactos do fogo no solo. Foto: Divulgação-IHP
“Fizemos uma avaliação visual da área atingida pelo fogo. Houve plantas que foram muito atingidas, outras pudemos notar que podem rebrotar. Foi uma análise mais superficial agora. Ainda temos a questão do solo para avaliar e o grau de serveridade do fogo. Em alguns casos, a situação do solo deixada pelo fogo dificulta a absorção da água da chuva e isso é um desafio. A gente encontrou mudas que se tornaram apenas brasa”, detalhou Cristiane.
Em outubro, os incêndios tiveram graves consequências nessa região da Serra do Amolar, uma das áreas mais conservadas e de riqueza de biodiversidade do Pantanal, e avançou por áreas do Patrimônio Natural da Humanidade. Após registro de rajadas de vento de 60 km/h, umidade do ar abaixo dos 20% e temperatura acima dos 40º C, uma linha de fogo de 11 km de extensão alcançou área de recuperação e passou por onde tinham sido plantadas 25 mil mudas.
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