Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Foram 3.262 focos entre 1º de janeiro e 23 de junho deste ano apenas no Pantanal sul-mato-grossense
Marcos Maluf - 26/06/2024 • 13:07
Queimadas no Pantanal/Assessoria do Governo do Estado
O Pantanal sul-mato-grossense vive, neste exato momento, o maior incêndio desde 1988, quando o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) começou a monitorar queimadas no Brasil. Diante da situação, o Governo do Estado promove ciclo de palestras, mas em Aquidauana, distante de Corumbá, e no conforto do coffee break, rodeado de network, opportunities e compliance.
O evento em si é o Pantanal Tech, realizado juntamente com a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), chamando empresários e pesquisadores a debater estratégias para o turismo em MS. Seria mais um evento protocolar, haja vista que o Pantanal está pegando fogo neste mesmo momento sem uma prevenção de fato, apenas reuniões de ‘crise’ e ‘emergência’, depois do leite já derramado, ou do fogo já colocado.
O evento já começa mal pelo rol de palestrantes, como denunciado aqui pela revista A Foto, com direito a ‘empresa’ que usa fogos de artifícios para espantar araras de suas terras.
Além disso, interessante notar que nada é dito sobre as mudanças de regras ambientes e agrícolas durante os atuais quase dez anos de Governo do PSDB em Mato Grosso do Sul. Principalmente no que se refere ao aumento da soja, e da falta de apoio à preservação ambiental.
Para se ter uma ideia, em números, foram 3.262 focos entre 1º de janeiro e 23 de junho deste ano apenas no Pantanal sul-mato-grossense, 22 vezes o número registrado no mesmo período de 2023. Corumbá concentra a maior parte dos incêndios, com 1.291 focos.
A atual situação é mais um contraponto contraditório na ‘política ambiental’ do Estado, que mistura a secretaria de agricultura com a do meio ambiente há anos. E que, pela primeira vez, elegeu um ex-presidente da Federação da Agricultura para o cargo de governador, que trataremos em outra oportunidade.
Vale lembrar o lema da ESG é compliance, tão propagado pelo governo: “O Compliance é um conjunto de ações que tem como objetivo final a prestação de serviços com eficiência, transparência e integridade para a sociedade”.
Entre as ações que estão direta ou indiretamente ligadas à nova cultura de “ser compliance” destacam-se a regulação do sistema de controle interno, o fomento da integridade e da transparência, o cumprimento dos riscos legais e normativos, o incentivo da conduta ética e a simplificação dos serviços.
Dessa maneira, podem ser aplicadas as normas de qualidade e padrões universais e também implantado o ESG (Environmental, Social and Corporate Governance), ou seja, um conjunto de boas práticas visando não apenas comprovar sua solidez e assegurar o crescimento sustentável, mas também evidenciar a preocupação com o meio ambiente e o bem-estar social”.
Vale um único questionamento: onde a queimada histórica do Pantanal entra no quesito sustentável?