Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Documento deixa claro que relação não é união estável e pode evitar disputas judiciais
Michelly Perez - 18/03/2026 • 09:30
Foto: freepik
Cada vez mais adotado por casais que desejam manter a independência financeira, o chamado contrato de namoro tem ganhado destaque como uma forma de prevenir conflitos patrimoniais e garantir mais segurança jurídica nas relações.
Diferente do que muitos pensam, o documento não trata de sentimentos, mas sim de regras. A advogada de família Paula Teodoro explica que o objetivo principal é deixar claro que o relacionamento não configura união estável — o que poderia gerar efeitos legais, como divisão de bens.
“O contrato de namoro serve para registrar que, naquele momento, o casal não tem a intenção de constituir família, que é um dos principais requisitos da união estável”, afirma.
Nos últimos anos, esse tipo de contrato passou a ganhar mais visibilidade dentro do Direito de Família, principalmente entre pessoas que já possuem patrimônio ou querem evitar complicações jurídicas no futuro.
Apesar disso, a advogada faz um alerta: o documento não é uma garantia absoluta.
“Se, na prática, o casal passa a viver como uma união estável — com convivência pública, contínua e objetivo de formar família — a Justiça pode reconhecer essa situação, independentemente do contrato”, explica.
Ainda assim, o instrumento tem um papel importante como prova da intenção das partes e pode ajudar a evitar interpretações equivocadas.
“Ele organiza a relação do ponto de vista jurídico e pode ser decisivo em casos de disputa, especialmente quando há bens envolvidos”, destaca Paula.
A orientação de um profissional também é essencial na hora de elaborar o documento, garantindo que ele seja claro, equilibrado e válido juridicamente.
Em um cenário de relações cada vez mais diversas e patrimônios mais complexos, o contrato de namoro surge como uma alternativa para trazer mais transparência, segurança e evitar dores de cabeça no futuro.