Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Dados do IBGE revelam que a Capital concentra os maiores índices de bullying e expõe um cenário preocupante
Michelly Perez - 26/03/2026 • 08:21
Foto: Freepik
Por trás dos números, existem histórias que se repetem nos corredores das escolas: olhares, risadas, apelidos e comentários que ferem. Em Mato Grosso do Sul, os dados mais recentes do IBGE escancaram uma realidade difícil de ignorar — a aparência ainda é um dos principais gatilhos de humilhação entre adolescentes.
No Estado, 27,8% dos estudantes que disseram ter sido humilhados apontaram o próprio corpo como motivo. É o segundo maior índice do país. Em Campo Grande, a situação é ainda mais grave: 28,3% dos alunos relataram esse tipo de ataque, colocando a Capital no topo do ranking nacional.
Mas o problema não para em quem sofre. Ele também aparece, de forma contundente, em quem pratica. Em Mato Grosso do Sul, 12,3% dos estudantes que admitiram ter humilhado colegas disseram que fizeram isso por causa de deficiência — o maior percentual do Brasil. Outros 21,3% apontaram a aparência do corpo como razão para as agressões, número bem acima da média nacional, de 17,1%.
Na Capital, os motivos das humilhações mostram o quanto o julgamento entre os jovens pode ser amplo e cruel. Campo Grande lidera entre as capitais quando o alvo são roupas, sapatos, mochila ou material escolar, com 20,1%. Além disso, aparece com o segundo maior índice de ataques relacionados ao sotaque ou jeito de falar, com 19,2%.
Os dados revelam que o bullying não está restrito a casos isolados — ele faz parte do cotidiano de muitos estudantes. E mais do que números, o que se vê é um ambiente onde diferenças, que deveriam ser respeitadas, acabam sendo transformadas em motivo de exclusão.
Em meio a avanços em áreas como acesso à internet, o desafio que permanece dentro das escolas é mais silencioso, mas igualmente urgente: construir um ambiente onde os jovens se sintam seguros para ser quem são, sem medo de serem reduzidos à própria aparência.