Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
orça-tarefa ouviu internados em diversas alas e constatou demora em procedimentos e falta de comunicação médica
Michelly Perez - 14/03/2026 • 07:00
Foto: Vitor Ilis
Uma ação da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul revelou relatos de demora em cirurgias e dificuldades de acesso a informações médicas por pacientes internados na Santa Casa de Campo Grande. A instituição realizou, nos dias 11 e 12 de março, um mutirão de atendimentos dentro do hospital após aumento de denúncias.
A equipe percorreu corredores e enfermarias para conversar diretamente com pacientes e familiares que, muitas vezes, não têm condições de buscar atendimento presencial na Defensoria.
A iniciativa reuniu profissionais do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) e do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh).
Entre os relatos ouvidos está o da jovem Isis Rosa Lima, de 25 anos, que permanece internada há cerca de 40 dias aguardando uma cirurgia para correção de uma fístula liquórica pelo nariz. Segundo a mãe, Abigail Alves Rosa, a família enfrenta dificuldades para obter informações claras sobre o tratamento e a previsão de realização do procedimento.
A jovem, professora de ballet, teve a rotina interrompida após complicações decorrentes de meningite. Desde então, passou por uma série de atendimentos e procedimentos médicos, incluindo a implantação e posterior retirada de uma válvula na cabeça após suspeita de contaminação. Enquanto aguarda a cirurgia definitiva, a paciente segue internada sem previsão de alta.
“Minha filha precisa da cirurgia e até agora nada foi definido. Tivemos poucas visitas médicas no leito”, relatou.
O caso não é isolado. Durante o mutirão, defensores públicos ouviram pacientes internados em diferentes especialidades, como neurologia, cardiologia, cirurgia geral, ortopedia, oncologia e nefrologia. Um dos pontos que mais chamou a atenção da equipe foi a falta de clareza sobre diagnósticos, prognósticos e prazos de procedimentos.
Segundo a coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde, defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, a instituição percebeu um aumento significativo de solicitações de pacientes internados na Santa Casa nos últimos meses.
“A Defensoria tem observado um número muito grande de pedidos de atendimento de pacientes que relatam dificuldades como demora em procedimentos, transferências e acesso a informações médicas”, afirmou.
A coordenadora do Nudedh, defensora pública Thaisa Raquel Medeiros de Albuquerque Defante, destacou que muitos pacientes não têm conhecimento detalhado sobre o próprio quadro de saúde, o que evidencia falhas na comunicação entre equipe médica e internados.
“Foi possível observar que a maioria não tem ciência exata do seu quadro de saúde. Isso chamou bastante atenção e exige acompanhamento”, afirmou.
Após as visitas, as equipes da Defensoria se reuniram para analisar os casos identificados. A instituição estuda ajuizar ações judiciais urgentes em situações consideradas mais graves e encaminhar recomendações administrativas à direção do hospital.
Embora a Santa Casa seja referência no atendimento hospitalar em Mato Grosso do Sul e enfrente desafios históricos ligados ao volume de pacientes e à estrutura do sistema público de saúde, os relatos reforçam um problema recorrente: para quem está no leito aguardando diagnóstico, cirurgia ou explicações, a espera costuma ser mais longa do que deveria.
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