Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Dado leva em conta a média histórica e é um dos fatores que contribui para o aumento de queimadas
Michelly Perez - 12/11/2024 • 10:38
Foto: reprodução- Agência Brasil
No Dia Nacional do Pantanal, celebrado nesta terça-feira (12), a estiagem prolongada chama a atenção de especialistas levando em conta os altos números de focos de incêndio registrados no bioma neste ano. Conforme estudo do MapBiomas, a área alagada em 2023, obteve uma redução do volume de água de 61% em relação à média histórica do período analisado.
“Com 3,3 milhões de hectares de área alagada, o ano passado foi 38% mais seco que 2018, quando ocorreu a última grande cheia do bioma, que cobriu 5,4 milhões de hectares. Essa extensão, no entanto, já era 22% mais seca que a de 1988 (primeira grande cheia da série histórica do MapBiomas, que cobriu 6,8 milhões de hectares)”, diz o estudo do MapBiomas, rede colaborativa de universidades, ongs e empresa de tecnologia, voltadas para o monitoramento das transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil.
As áreas alagadas por mais de três meses no ano também apresentam tendência de redução, isto é, o bioma tem apresentado uma menor área alagada ao mesmo tempo que o alagamento apresenta menor tempo de permanência. O fenômeno tem impactado no aumento da área de savana no Pantanal. Da atual área de savana, que equivale a 2,3 milhões de hectares, 22%, cerca de 421 mil hectares vieram de locais que secaram.
Segundo o estudo, essa mudança no padrão de cheias e secas tem efeitos sobre a incidência de queimadas no bioma. No período entre 1985 e 1990, às áreas atingidas por queimadas correspondiam a áreas naturais em processo de conversão e consolidação de pastagem. Após o período da última grande cheia analisada, em 2018, houve uma recorrência de incêndios no entorno do Rio Paraguai.
“De 2019 a 2023, o fogo tem atingido locais que no início da série de mapeamento, de 1985 a 1990, eram permanentemente alagados, mas que agora estão passando por períodos prolongados de seca. O total queimado de 2019 a 2023 foi de 5,8 milhões de hectares e a região mais atingida foi justamente essas áreas que antes eram permanentemente alagadas no entorno do Rio Paraguai”, diz o estudo.
Desde janeiro deste ano, até o dia 29 de outubro foram confirmado 14.251 focos de calor no bioma em Mato Grosso do Sul, 32,4% a menos em relação ao mesmo período de 2020, quando foram registrados 21.084,
segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Na área queimada em MS e MT chega a 2.756.425 hectares de 1º de janeiro deste ano até 29 de outubro, o que representa uma redução de 21,1% em relação ao mesmo período de 2020, quando foram queimados 3.493.275 hectares (considerada até então, a pior temporada de incêndios no Pantanal de MS).
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