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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Do cativeiro à esperança: animais silvestres ganham nova chance em Três Lagoas

Centro recebeu 11 aves mantidas ilegalmente em cativeiro e um filhote de tamanduá-bandeira; multas somam R$ 9,5 mil

Michelly Perez - 21/05/2026 • 08:15

Fotos: Imasul

O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul informou que o Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres) de Três Lagoas recebeu, nesta semana, 11 aves silvestres apreendidas durante uma ação integrada da Polícia Militar Ambiental (PMA). Os animais eram mantidos irregularmente em cativeiro, sem autorização ambiental.

Entre as espécies apreendidas estão quatro canários-da-terra, quatro coleirinhas, um azulão e um papagaio-verdadeiro, ave protegida internacionalmente e incluída no Apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites). Segundo a fiscalização, nenhuma das aves possuía anilhas de identificação ou documentação de origem legal.

Além das apreensões, a equipe do Cetas também passou a cuidar de um filhote de beija-flor, que recebe alimentação e acompanhamento especializado conforme as necessidades da espécie.

As irregularidades resultaram em autos administrativos por crime ambiental. As multas aplicadas totalizam R$ 9,5 mil, sendo R$ 4,5 mil pela manutenção ilegal de aves passeriformes e R$ 5 mil pela posse irregular do papagaio-verdadeiro.

Todos os animais foram encaminhados ao centro, onde passam por avaliação clínica, catalogação e monitoramento técnico antes da destinação adequada.

“Cada resgate representa uma chance de preservação”

A unidade também recebeu um filhote de tamanduá-bandeira encontrado em uma propriedade rural da região e entregue à PMA. Após os primeiros atendimentos, o animal foi encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), em Campo Grande, onde seguirá em tratamento especializado.

O fiscal ambiental e chefe da Unidade Regional do Imasul em Três Lagoas, Rafael Alex Barbosa, destacou a importância da integração entre os órgãos de fiscalização e segurança pública no combate aos crimes contra a fauna.

“ O resgate e o encaminhamento adequado são fundamentais para garantir a preservação dessas espécies”, afirmou.

Já o diretor-presidente do Imasul, André Borges, ressaltou o papel estratégico do Cetas na recuperação da fauna silvestre.

“Cada animal atendido representa uma oportunidade de conservação e reforça o compromisso do Estado com a biodiversidade”, destacou.

A médica-veterinária Aline Duarte explicou que o atendimento rápido é decisivo, principalmente em casos envolvendo filhotes.

“O encaminhamento para reabilitação é importante para garantir o desenvolvimento adequado e futuras condições de retorno à natureza”, explicou.

Estrutura inédita na região

O Cetas de Três Lagoas é considerado uma estrutura inédita na região e foi implantado após mais de dez anos de estudos e articulações entre órgãos públicos e empresas. A unidade atende uma área de grande relevância ecológica, marcada por vegetação nativa, reflorestamentos e corredores ambientais.

Com investimento de aproximadamente R$ 1,7 milhão, o espaço foi projetado para acolhimento, atendimento emergencial e permanência temporária de animais silvestres, seguindo critérios de segurança sanitária e bem-estar animal.

A estrutura conta com equipamentos, climatização, mobiliário e veículo fornecidos pelo Imasul, permitindo o atendimento imediato, recuperação e posterior reintrodução dos animais à natureza ou encaminhamento ao Cras, quando necessário.

Tags: animais, resgate, Três Lagoas,