Campo Grande - quarta-feira, 24 de junho de 2026
Local é um cartões-postais naturais mais queridos da cidade, mas há anos sofre com abandono
Michelly Perez - 08/12/2025 • 10:39
Prefeita Adriane Lopes durante lançamento da placa fundamental em 2023. Foto: divulgação
A Prefeitura de Campo Grande formalizou, hoje (8), o contrato com a empresa responsável pela implantação do Parque Turístico Municipal Cachoeiras do Céuzinho. O investimento é de R$ 7,2 milhões, com prazo de 540 dias para execução após a Ordem de Serviço.
O que chama a atenção é que a publicação saiu no Diário Oficial, quase dois anos após a prefeita lançar, em agosto de 2023, a “pedra fundamental” do parque — um ato simbólico que ficou só no discurso e não avançou na prática.
O Parque do Céuzinho, anunciado com pompa nas comemorações dos 124 anos da Capital, virou mais um daqueles projetos que aparecem em datas festivas, mas não se concretizam. Agora, com o contrato oficialmente assinado, fica a pergunta que todo campo-grandense já aprendeu a fazer: será que desta vez sai do papel?
O Céuzinho é um dos cartões-postais naturais mais queridos da cidade, mas há anos sofre com abandono: lixo, improvisos e falta de estrutura mínima para receber visitantes. O projeto promete mudar isso com guarita, receptivo, estacionamento, lojas, restaurante, quiosques, banheiros, área para ciclistas e até salão de jogos.

Imagem do projeto. Foto: Divulgação
No papel, é um parque completo — moderno, seguro e sustentável. Na prática, os moradores ainda veem o mesmo cenário de sempre: trilhas sem manejo adequado, áreas degradadas e ausência de controle ambiental.
A obra será financiada pelo Tesouro Municipal e pelo Finisa 5. Ou seja, dinheiro há. O que nunca houve, até agora, foi execução. Tanto que a Prefeitura só formalizou o contrato em dezembro de 2025, depois de dois anos de anúncios e expectativas frustradas.
A previsão é que tudo seja feito em fases, começando pelas áreas de acolhimento e lazer e, depois, com a construção dos mirantes. Mas Campo Grande já viu esse roteiro antes: projetos que começam com promessas e cronogramas, mas que emperram sem explicações claras.
O Município também promete elaborar o Plano de Manejo da Unidade de Conservação, essencial para garantir preservação na APA do Ceroula. Porém, enquanto o documento não aparece e as obras não saem do chão, o local segue vulnerável às degradações provocadas pela falta de fiscalização.
A assinatura do contrato é, sem dúvida, um passo importante — mas está longe de ser garantia de entrega. Depois de tantos anúncios e tão pouca ação, o desafio agora é simples: mostrar serviço.
Resta saber se, desta vez, o Parque do Céuzinho vai virar realidade ou se será apenas mais um capítulo na longa lista de promessas que Campo Grande coleciona.