Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Na Capital, mais de 3,5 mil pessoas aguardam há mais de um ano por consulta na especialidade
Michelly Perez - 19/11/2024 • 07:09
Foto: Marcos Maluf-arquivo
Em Campo Grande, a fila da dor conta com mais de 3.560 pessoas que aguardam há mais de um ano por uma consulta psiquiátrica. Desses, 2.833 são pacientes adultos e 727 são crianças. Com uma situação que se arrasta desde 2019, o Estado e o município deverão reduzir a fila de espera sob pena de multa diária no valor de R$ 10 mil.
Conforme o Ministério Público, a solicitação mais antiga para marcação de consulta data do dia 24 de setembro de 2023, ou seja, os pacientes têm aguardado por até um ano para acesso à consulta médica. Entre os que esperam e com base em dados da própria Secretaria Municipal de Saúde, 74 pacientes foram classificados como risco amarelo (urgente); 2.576 com risco verde (pouco urgente) e 880 com risco azul (não urgente). Chama a atenção, que, entre os solicitantes classificados como “urgente”, a maior parte (43) é de pacientes pediátricos.
A Ação Civil proposta pelo Promotor de Justiça Marcos Roberto Dietz, também confirmou a existência de diversas irregularidades no sistema de regulação local gerido pelo município de Campo Grande, constatadas pela Controladoria Geral da União (CGU), que apontou uma série de falhas na distribuição dos atendimentos, o que, segundo o relatório de avaliação do órgão, impacta na forma de cuidar dos pacientes e no tempo de espera.
Prefeitura cita fortalecimento da rede de saúde mental
Em nota enviada para a Revista A Foto, a Secretaria Municipal de Saúde cita que tem se empenhado de maneira contínua e responsável no fortalecimento da rede pública de saúde mental, com o objetivo de atender à crescente demanda por serviços especializados, promovendo cuidado e acompanhamento adequado à população.
A Sesau esclarece que o Município já avançou significativamente em diversas frentes para garantir melhorias no atendimento à saúde mental. Entre as ações concretas já realizadas, está a ampliação de vagas no Hospital Nosso Lar, com o acréscimo de 16 novas vagas para internação, visando ampliar a capacidade de atendimento; a implantação do CAPS AD Guanandy, em outubro de 2023, para atender usuários com problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas, reforçando a rede de suporte psicossocial.
Além disso, são realizados mutirões de saúde mental, que atendem tanto as áreas rurais quanto os eventos do programa “Todos em Ação”, proporcionando atendimento especializado à população que muitas vezes tem dificuldades de acesso ao serviço. A Prefeitura também contratou mais 10 novos médicos para a rede, ampliando a equipe de profissionais para garantir o atendimento adequado à demanda crescente.
Também vale destacar o planejamento da implantação do CAPS Moreninha, projeto que já foi aprovado no Conselho Municipal de Saúde e na Comissão Intergestores Bipartite (CIB), com o intuito de expandir ainda mais os serviços disponíveis na rede de atenção psicossocial.
A administração municipal também atua no fortalecimento dos programas especializados no CEM (Centro de Especialidades Médicas), garantindo acompanhamento especializado para a população com transtornos mentais; disponibilização de teleatendimento de psicologia/psicoterapia breve, ampliando o acesso ao cuidado psicológico de forma prática e moderna.
Essas ações refletem o compromisso do Município com a promoção da saúde mental e o bem-estar da população de Campo Grande, reforçando a prioridade em melhorar constantemente o atendimento àqueles que mais precisam.
*** Matéria editada para inclusão do posicionamento do município***
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