Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
O drama da família começou no final de novembro de 2021, quando deram início ao processo para que o menino pudesse receber a medicação vital
Da redação - 03/11/2023 • 06:00
Diabetes/Arquivo pessoal
A batalha incansável de Joyce da Silva Lopes, auxiliar administrativo de 40 anos, tem sido marcada por uma busca desesperada para garantir o tratamento de diabetes mellitus tipo 1 para seu filho Emanuel Lopes Feitosa, um jovem de 8 anos diagnosticado também com autismo e síndrome de Down.
Emanuel carrega o peso de uma doença autoimune desde os tenros 4 anos, dependendo completamente de insulina para sobreviver. Seu tratamento, atualmente, é conduzido através de um sistema de infusão contínua de insulina, usando a bomba 780 G.
O drama da família começou no final de novembro de 2021, quando deram início ao processo para que o menino pudesse receber a medicação vital, que tem um custo mensal médio de R$ 5 mil. No entanto, em novembro de 2022, receberam apenas insumos suficientes para seis meses de tratamento.
Joyce conta que, por conta de complexidades judiciais, foi instruída a fazer uma nova solicitação antes que o estoque se esgotasse. Assim, em janeiro de 2023, ela fez um novo pedido e desde então tem enfrentado uma série de idas e vindas ao Fórum e Defensoria Pública.
Emanuel tem utilizado o tratamento por meio da bomba há 11 meses, mas nos últimos cinco meses, a família não recebeu insumos. Eles têm dependido de doações e vaquinhas para adquirir sensor de glicemia, cateter, reservatório, tiras de teste para glicose, insulina e lancetas.
A mãe explica que, com a bomba de insulina, Emanuel precisa ser furado apenas a cada 3 dias para a troca de cateter e a cada 7 dias para a troca de sensor. No tratamento convencional, com caneta de insulina, ele era furado em média oito vezes por dia, e ainda assim, o controle não era eficaz.
A bomba de insulina permite que o tratamento seja ajustado de acordo com as necessidades diárias do filho, previne episódios de hipoglicemia e corrige as hiperglicemias de forma automática. Além disso, proporciona a Emanuel uma alimentação mais livre, especialmente na escola.
Joyce compartilha como a caneta de insulina a obrigava a se deslocar até a escola todos os dias para aplicar a insulina, atrapalhando o horário de estudo de Emanuel e constrangendo-o na frente dos amigos. Com lágrimas nos olhos, ela relembra que muitas vezes ele chorava pela dor de ser furado.
Para Emanuel, que é uma criança com deficiência e não consegue comunicar quando se sente mal, os insumos são cruciais. Episódios de glicemia alta ou baixa podem ser fatais, mas a bomba emite alertas em tais situações e tenta evitá-las automaticamente.
A apenas dois dias de esgotarem os insumos estocados para o tratamento do menino, a família se vê forçada a retornar ao tratamento convencional com caneta de insulina. No entanto, Joyce enfatiza que essa abordagem não foi eficaz para Emanuel, que frequentemente sofria com hiperglicemias constantes.
Ao ser questionada sobre seus sentimentos em meio a essa angustiante situação, Joyce responde com dor nos olhos, “O maior sentimento é a dor, pois lidar com o diabetes tipo 1 já é uma luta para uma criança. Além disso, ter que implorar por um tratamento eficaz que não cause tanto sofrimento a seu filho é revoltante, humilhante e extremamente doloroso.”
A liberação dos insumos é um dilema que a família não consegue entender. Embora o poder judiciário tenha concedido a Emanuel o direito de receber os insumos, a análise do processo tem se arrastado de forma inaceitável. O tratamento deveria ser fornecido pelo município e Estado, mas até agora, apenas uma única remessa para seis meses foi disponibilizada.
“O que estamos pedindo é que o valor seja liberado para a compra dos insumos, mas até o momento, o juiz não emitiu essa sentença”, explica Joyce. A família está desesperada, esperando que seu apelo seja ouvido e que Emanuel possa finalmente receber o tratamento vital que necessita, sem mais delongas.