Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Iniciativa vai acompanhar o comportamento das espécies em seu ciclo reprodutivo
Michelly Perez - 10/12/2025 • 10:37
Foto: Divulgação
A CESP (Companhia Energética de São Paulo) iniciou uma nova etapa do monitoramento da ictiofauna da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (UHE Porto Primavera), com a implantação de microchips em até 600 peixes nativos de espécies migratórias durante a piracema. A ação, que segue até fevereiro, faz parte do Programa de Conservação da Biodiversidade.
Segundo a empresa, o objetivo é acompanhar o comportamento das espécies prioritárias no período reprodutivo e avaliar a eficiência das estruturas de transposição de peixes da usina.
O gerente de Sustentabilidade da CESP, Odemberg Veronez, destaca que o monitoramento é essencial para a preservação da fauna aquática do Rio Paraná e seus tributários:
“Para conservar a biodiversidade, é necessário conhecer as espécies e o bioma no qual estão inseridas. As informações obtidas nesses estudos orientam nossas ações e ampliam a efetividade das medidas ambientais.”
Entre 2009 e 2025, a companhia marcou 8.048 indivíduos no reservatório de Porto Primavera e em rios da região, como Peixe, Aguapeí, Verde e Pardo. As espécies analisadas incluem piapara, jurupoca, piauçu, pacu, mandi-amarelo, barbado, curimba, pintado, dourado, jaú, cascudo-preto e outras típicas da piracema.

Peixes recebendo o microchip
O procedimento de marcação segue protocolos de bem-estar animal. Após a captura, os peixes são anestesiados, medidos, pesados e identificados com microchips (PIT tags) e etiquetas externas. Em seguida, permanecem em repouso até a recuperação completa antes de serem devolvidos à água.
A escada de transposição da UHE Porto Primavera — com quase meio quilômetro de extensão — possui nove antenas de leitura por radiofrequência alimentadas por energia solar. Os equipamentos registram automaticamente cada passagem de um peixe marcado, informando espécie, horário e direção do deslocamento.
De acordo com o consultor de Sustentabilidade da CESP, Leandro Celestino, todas as 18 espécies migradoras registradas na região utilizam a escada durante a piracema, o que demonstra a importância da estrutura para a conectividade entre os ambientes rio acima e rio abaixo da barragem.
Estudos também apontam deslocamentos superiores a 400 quilômetros, com indivíduos que chegaram até o sistema de transposição da usina de Itaipu. A pesquisa ainda comprovou pela primeira vez que os peixes utilizam a escada para descida, além da tradicional subida.
Após o fim da piracema — quando a pesca de espécies nativas volta a ser permitida — pescadores e ribeirinhos que capturarem peixes com etiquetas externas podem informar a captura ao canal Diálogo Aberto da CESP. Dados como local, data e hora ajudam a complementar o monitoramento técnico.
Segundo Veronez, a colaboração da comunidade amplia a compreensão sobre a distribuição e o deslocamento das espécies pela bacia do Rio Paraná.
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