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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Especialistas alertam para formas graves da chikungunya durante debate no HU-UFGD

Médicos apontam aumento de casos com complicações neurológicas, respiratórias e cardiovasculares em pacientes internados

Michelly Perez - 22/05/2026 • 10:31

Foto: Divulgação

A chikungunya, tradicionalmente associada às dores intensas nas articulações, passou a acender um novo alerta entre especialistas da saúde. Durante encontro realizado no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), médicos e pesquisadores discutiram o avanço de manifestações graves da doença, incluindo casos com comprometimentos neurológicos, respiratórios, renais e cardiovasculares.

O debate ocorreu durante o encontro “Manejo Clínico de Casos Graves de Chikungunya”, promovido em parceria com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), reunindo infectologistas, intensivistas e representantes da Força Nacional do SUS para discutir estratégias de atendimento diante do atual cenário epidemiológico das arboviroses em Dourados.

Segundo a infectologista Andyane Freitas Tetila, os casos recentes mostram que a doença tem se comportado de forma muito mais agressiva do que se imaginava.

“Hoje observamos pacientes evoluindo com comprometimento neurológico, cardiovascular, respiratório e renal, além de quadros inflamatórios importantes e descompensação de doenças crônicas”, explicou.

A médica destacou ainda o aumento de internações hospitalares e a necessidade de suporte intensivo em pacientes infectados.

“Também chama atenção o aumento de casos com insuficiência respiratória e choque circulatório, mostrando que o vírus pode desencadear uma resposta inflamatória muito mais severa”, afirmou.

Casos graves desafiam equipes médicas

Durante o encontro, especialistas relataram experiências clínicas envolvendo pacientes com sintomas considerados “hiperagudos”, incluindo desidratação severa, alterações metabólicas e necessidade de atendimento em UTI.

O médico Pedro Carvalho compartilhou experiências vivenciadas em atendimentos realizados junto à Força Nacional do SUS em comunidades indígenas de Dourados. Segundo ele, alguns pacientes apresentaram quadros graves inesperados, como choque circulatório e cetoacidose diabética.

Os desafios no atendimento infantil também foram debatidos. A intensivista pediátrica Nancy Karol Giummarresi Torres apresentou casos envolvendo lactentes e crianças com insuficiência respiratória e necessidade de suporte avançado em UTI.

Entre os temas discutidos pelos especialistas estiveram a importância da hidratação venosa rigorosa, o cuidado específico em populações indígenas e a necessidade de ampliar pesquisas sobre manifestações extrarticulares da doença.

Hospital reforça papel no enfrentamento da epidemia

O superintendente do HU-UFGD, Hermeto Paschoalick, afirmou que a experiência recente mostrou que a chikungunya pode evoluir de maneiras diferentes e nem sempre apresenta sinais clássicos de agravamento.

“Na chikungunya parece ser mais difícil identificar sinais de alarme específicos da doença, e o tratamento precisa ser muito mais individualizado”, explicou.

Segundo ele, o hospital tem atuado em conjunto com secretarias de saúde e o Ministério da Saúde para ampliar pesquisas e qualificar o atendimento aos casos graves registrados na região.

O encontro contou ainda com a participação da infectologista Ho Yeh Li e do médico Rafael Galliez, ambos referências nacionais no manejo de doenças infecciosas e emergências em saúde pública.

Tags: Chikungunya, HU-UFGD, saúde,