Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Inquérito civil aponta fila represada e baixa oferta de exames na rede pública de saúde da Capital
Michelly Perez - 08/04/2026 • 10:05
Foto: Marcos Maluf
A demora no acesso a exames essenciais para diagnóstico do câncer de próstata acendeu um alerta em Campo Grande. Diante de uma fila que já ultrapassa 300 dias de espera, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou um inquérito civil para cobrar medidas urgentes dos gestores de saúde.
A investigação, conduzida pela 76ª Promotoria de Justiça, busca ampliar a oferta de biópsias de próstata no Sistema Único de Saúde — exame fundamental para o diagnóstico precoce de uma das doenças que mais atingem a população masculina no país.
Dados encaminhados ao Ministério Público revelam um cenário preocupante: mais de 100 pacientes aguardam pelo procedimento desde fevereiro de 2025. Em alguns casos, o tempo de espera já ultrapassa 300 dias, muito acima do limite considerado adequado pelo Conselho Nacional de Justiça, que estabelece prazo superior a 100 dias como excessivo para exames eletivos.
Apesar de o exame estar previsto em três unidades hospitalares da Capital, apenas o Hospital do Câncer Alfredo Abrão mantém a realização regular. A Santa Casa de Campo Grande suspendeu os atendimentos eletivos em setembro de 2025, enquanto o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian interrompeu as agendas em maio do mesmo ano, após problemas técnicos em equipamentos.
Com isso, a oferta de exames foi drasticamente reduzida, ampliando a fila e atrasando diagnósticos que podem ser decisivos para o tratamento.
O MPMS requisitou informações detalhadas às secretarias municipal e estadual de saúde sobre a capacidade de atendimento, contratos com a rede privada e medidas adotadas para reduzir a demanda reprimida. Também cobrou posicionamento das unidades hospitalares sobre a retomada dos serviços.
No inquérito, o órgão ainda solicitou a inclusão de nota técnica do Instituto Nacional de Câncer, que reforça a importância da biópsia para o diagnóstico precoce. Segundo o instituto, o câncer de próstata é o mais comum entre homens no Brasil — desconsiderando o câncer de pele não melanoma — e o segundo em mortalidade.
Para o Ministério Público, a demora no acesso ao exame representa um risco direto à saúde da população e evidencia falhas na oferta de serviços especializados.