Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Representantes criticam abordagem desproporcional a manifestantes em pleno período natalino
Michelly Perez - 02/12/2025 • 12:20
Foto: reprodução
As entidades que representam o comércio de Mato Grosso do Sul — a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL-MS) e a CDL de Campo Grande — divulgaram uma nota de repúdio contra a atuação da Guarda Civil Metropolitana durante uma manifestação no último sábado (29), na Rua 14 de Julho, em plena época de compras de fim de ano.
Segundo as entidades, a ação dos guardas contra um grupo de manifestantes contrários à atual gestão municipal foi “desproporcional” e não condiz com o clima de paz e convivência esperado no período natalino. Para a FCDL e a CDL, o episódio representa um retrocesso e fere valores democráticos.
Na nota, a CDL lembra que a Guarda Municipal não pertence a governos, mas à população, e tem como missão proteger o patrimônio público — sendo a população o bem mais importante da cidade. A entidade critica o uso do efetivo para ações que, segundo a avaliação do grupo, acabam constrangendo cidadãos e desgastando a imagem da instituição.
As entidades também chamam atenção para a precariedade enfrentada pelos próprios guardas, que trabalham com salários considerados baixos e estrutura limitada. Para elas, além de serem mal remunerados, os profissionais ainda são colocados em situações de tensão que geram descrédito e exposição negativa.
O episódio, que envolveu moradores comuns, professores e famílias que estavam na região, acendeu um alerta no setor varejista. A CDL afirma que, se nada for feito, situações semelhantes podem atingir qualquer pessoa que trabalha e movimenta a economia da cidade.
Por isso, a entidade cobra que os órgãos de controle investiguem o caso e tomem as medidas necessárias para que o episódio não seja banalizado.
A presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, reforçou que o ocorrido extrapola qualquer limite aceitável em uma cidade democrática.
“Quando uma manifestação pacífica resulta em intimidação, algo muito sério está acontecendo. Mato Grosso do Sul sempre preservou o diálogo e o respeito. A liberdade de expressão é um direito constitucional e deve ser tratada como tal”, afirmou.
Ela também defendeu melhores condições de trabalho e remuneração adequada para os guardas, além de orientações condizentes com a missão da corporação.
O presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, endossou o posicionamento e afirmou que é hora de a sociedade refletir sobre o que espera para o futuro da Capital.