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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Governo realiza queima prescrita em parque estadual para evitar tragédias ambientais

Com drones e fogo controlado, MS intensifica combate preventivo aos incêndios florestais

Michelly Perez - 11/05/2026 • 08:09

Fotos: Ewerton Pereira/Secom-MS

O Governo de Mato Grosso do Sul reforçou as ações de prevenção aos incêndios florestais com uma operação de queima prescrita realizada no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (Pevri), localizado na Bacia do Rio Paraná. A estratégia, conhecida como Manejo Integrado do Fogo (MIF), busca reduzir o risco de queimadas de grandes proporções durante o período de estiagem e proteger os biomas sul-mato-grossenses.

A ação foi conduzida pelo Corpo de Bombeiros Militar entre os dias 1º e 4 de maio e contou com apoio técnico do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). A operação ocorreu em uma área de 73,3 mil hectares situada entre os municípios de Taquarussu, Naviraí e Jateí, em região de Mata Atlântica.

Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Samuel Pedrozo, responsável pela operação, o manejo preventivo é considerado uma das formas mais eficientes de evitar incêndios de grandes proporções.

“Essas práticas são essenciais para o controle da biomassa acumulada, reduzindo o risco de grandes incêndios florestais. O uso do fogo controlado, aliado à abertura de aceiros e ao planejamento adequado, se mostra extremamente eficiente na mitigação dos incêndios”, explicou.

A ação ocorre em meio ao alerta climático provocado pelo fenômeno El Niño, que deve aumentar as temperaturas e provocar irregularidade nas chuvas em Mato Grosso do Sul ao longo deste ano. O cenário preocupa autoridades ambientais devido ao aumento do risco de fogo no Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica.

Tecnologia de ponta

Para garantir segurança e precisão durante a operação, o trabalho contou com o uso de drones equipados com sensores infravermelhos e câmeras térmicas, permitindo o monitoramento da área em tempo real, inclusive durante a noite. As equipes também utilizaram tecnologias de georreferenciamento para mapear a vegetação e identificar possíveis riscos, além da presença de animais silvestres.

A queima controlada foi iniciada no período mais quente do dia, com temperaturas próximas de 30°C. Conforme a umidade do ar aumentava no fim da tarde, as chamas perderam intensidade naturalmente. Mesmo assim, bombeiros permaneceram em alerta para agir rapidamente em caso de qualquer mudança no comportamento do fogo.

Além de reduzir a quantidade de material combustível acumulado na vegetação, o manejo também contribui para eliminar espécies invasoras e estimular a regeneração da flora nativa.

Prevenção ambiental

O gerente das Unidades de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes, destacou que o procedimento segue critérios técnicos rigorosos para preservar o equilíbrio ambiental.

“Nas unidades de conservação, como o Parque Estadual Várzeas do Rio Ivinhema, o manejo adequado do fogo é essencial para manter o equilíbrio ecológico e proteger a biodiversidade”, afirmou.

De acordo com o guarda-parque Dione Sales dos Santos, o manejo preventivo evita tragédias ambientais como as registradas nos últimos anos no Estado.

“Se esse manejo não fosse feito, o material serviria como combustível para incêndios de grandes proporções no período de seca. Com o MIF, conseguimos manter o fogo sob controle, preservar a vegetação e garantir que os animais tenham onde se refugiar”, explicou.

A estratégia de prevenção já vinha sendo aplicada pelo Governo do Estado desde 2023 e ganhou força após os incêndios severos registrados no Pantanal em 2024. No ano passado, o Corpo de Bombeiros realizou uma ação inédita de queima prescrita no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, entre Aquidauana e Corumbá, utilizando a mesma técnica para minimizar impactos ambientais e reduzir riscos durante o período crítico de seca.

Segundo o major Eduardo Teixeira, subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, o objetivo é antecipar ações e reduzir prejuízos ambientais e econômicos.

“Buscamos mitigar os efeitos de possíveis incêndios e reduzir danos tanto à fauna e flora quanto às propriedades próximas”, ressaltou.

Tags: ms, prevenção, queima prescrita,