Depois de anos operando acima da capacidade e se tornando símbolo da sobrecarga da saúde pública em Mato Grosso do Sul, o Hospital Regional finalmente inicia uma mudança histórica: um projeto bilionário que promete ampliar leitos, modernizar estruturas e praticamente dobrar o número de internações mensais pelo SUS.
Com investimento estimado em R$ 8,2 bilhões ao longo de 30 anos, o Governo do Estado oficializou nesta segunda-feira (11) a PPP (Parceria Público-Privada) do HRMS, considerada uma das maiores iniciativas de infraestrutura hospitalar do Centro-Oeste.

Foto: Bruno Rezende
O dado que mais chama atenção é o salto previsto no atendimento: o hospital passará de 1,4 mil para 2.760 internações por mês — aumento de 97%. Na prática, isso significa que quase 1,4 mil pacientes a mais poderão ser internados mensalmente em um sistema que hoje convive com filas, corredores lotados e demora por vagas.
“Este foi o melhor modelo encontrado, depois de muito tempo estudando”, afirmou o governador Eduardo Riedel durante a formalização da parceria. Segundo ele, o projeto foi construído ao longo de quase três anos até chegar ao modelo levado a leilão na B3. “É um projeto complexo, que envolve modernização, ampliação e gestão de longo prazo.”
Maior capacidade hospitalar
Outro número pouco explorado até agora revela o tamanho da aposta: a estrutura terá ampliação de 60% na capacidade hospitalar. Atualmente, o HRMS já funciona como referência para casos de alta complexidade em todo o Estado, recebendo pacientes de dezenas de municípios.
Apesar da entrada da iniciativa privada, o Governo insiste em reforçar que o hospital continuará 100% SUS e gratuito. A gestão médica permanece sob responsabilidade do Estado, enquanto a empresa vencedora ficará responsável pelos chamados serviços não assistenciais — como limpeza, lavanderia, manutenção, alimentação, logística, recepção e tecnologia hospitalar.
“A experiência da internação precisa ser a melhor possível”, declarou o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões. “Queremos que o paciente perceba não apenas o cuidado, mas também a humanização do cuidado.”
Nos bastidores, o modelo é tratado como uma tentativa de mudar um dos principais gargalos da saúde pública: a dificuldade do poder público em manter atualização tecnológica constante dentro dos hospitais. A promessa é que a parceria permita renovação contínua de equipamentos e estruturas sem depender da lentidão tradicional dos processos públicos.
Parceria não é privatização
A concessionária Inova Saúde MS, subsidiária da Construcap, venceu o leilão realizado na B3, em São Paulo, com proposta de R$ 15,9 milhões mensais — valor 22% menor que o teto previsto inicialmente pelo Estado.
“A PPP traz ganho de eficiência no serviço prestado para a população, com redução do tempo médio de internação”, disse Riedel. Segundo o governador, a expectativa é reduzir custos operacionais e aumentar a capacidade de atendimento ao mesmo tempo.
Já o diretor de operações da Inova Saúde MS, Vinícius Battistella, rebateu críticas sobre uma possível privatização do hospital.
“O projeto é uma parceria, não é uma privatização de nenhuma forma. Cabe ao Governo o planejamento das políticas públicas de saúde e a garantia do acesso do paciente à assistência.”
As obras de expansão devem durar dois anos. Já a reforma das estruturas existentes será concluída em até quatro anos. Até lá, o desafio será manter o hospital funcionando enquanto passa pela maior remodelação desde sua inauguração.