Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Inquéritos do MPMS expõem falta de medicamentos, equipamentos quebrados e problemas estruturais em duas UPAS
Michelly Perez - 05/02/2026 • 08:02
Foto: imagem ilustrativa-Marcos Maluf
Mesmo pagando IPTU mais caro, a população de Campo Grande continua encontrando postos de saúde e UPAs com problemas básicos. É o que mostram os inquéritos abertos pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que apontam falhas graves em unidades que deveriam garantir atendimento digno à população.
Na USF Alfredo Neder, no bairro Coophavilla II, o cenário é de abandono: falta medicamento, equipamentos essenciais ficam meses sem funcionar e a estrutura apresenta infiltrações e problemas de climatização. Até o atendimento odontológico foi afetado por aparelhos quebrados. Tudo isso em uma unidade que atende moradores que dependem exclusivamente do SUS.
A situação da UPA Leblon também preocupa. Denúncias de superlotação, falta de insumos, problemas estruturais e escassez de profissionais se repetem. Vistorias confirmaram infiltrações, equipamentos sem manutenção e dificuldades na organização do atendimento, o que impacta diretamente quem procura socorro em momentos de urgência.
O que revolta é o contraste: os impostos sobem, mas os serviços não acompanham. O aumento do IPTU foi justificado como forma de melhorar a cidade, mas na prática, quem precisa da saúde pública enfrenta calor, demora, falta de remédios e estrutura precária.
O MPMS abriu os inquéritos para acompanhar de perto e cobrar providências da Prefeitura. Ainda assim, o fato de problemas antigos continuarem acontecendo levanta uma pergunta simples, que ecoa entre os moradores: para onde está indo o dinheiro do contribuinte?
Enquanto a resposta não vem, sobra indignação para quem paga mais imposto e recebe menos serviço — especialmente quando o assunto é saúde, que deveria ser prioridade.