Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Com reajustes que passam de 300%, Promotoria denuncia "manobra" para encarecer imposto sem seguir a lei
Michelly Perez - 02/02/2026 • 09:23
Foto: Marcos Maluf
A polêmica em torno do IPTU 2026 em Campo Grande ganhou um capítulo decisivo. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) soltou pareceres contundentes pedindo que a Justiça barre os aumentos considerados abusivos e a forma como a taxa de lixo está sendo cobrada este ano.
Para a 67ª Promotoria de Justiça, a Prefeitura de Campo Grande usou “atalhos” ilegais para aumentar a conta do contribuinte, ignorando regras básicas da Constituição.
O MPMS analisou ações movidas pela OAB/MS e outras associações e concluiu que houve uma “majoração indireta”. Na prática, isso significa que a Prefeitura não aumentou a alíquota diretamente por lei, mas mudou as regras do jogo de um jeito que o boleto veio muito mais caro.
Confira os principais pontos de contestação:
Aumentos “Assustadores”: O Ministério Público identificou casos em que o imposto subiu 160%, chegando a impressionantes 300% em certas regiões, o que é visto como um confisco do dinheiro do cidadão.
Falta de Transparência: A prefeitura utilizou um novo “Perfil Socioeconômico Imobiliário” para reclassificar os imóveis, mas não explicou como isso foi feito nem deu publicidade aos critérios.
Fim dos Descontos: O corte repentino de benefícios, como o desconto no parcelamento, foi feito sem respeitar o prazo de 90 dias exigido por lei para mudanças tributárias.
Falta de Diálogo: O órgão destaca que não houve conversa com a sociedade nem justificativa técnica clara para as mudanças.
O Ministério Público manifestou-se a favor de medidas liminares (decisões urgentes). O objetivo é suspender a cobrança nos moldes atuais até que todas as irregularidades sejam corrigidas.
Segundo a Promotoria, o papel do órgão agora é proteger o bolso das famílias e a economia da cidade, garantindo que o município siga a lei e não abuse do seu poder de cobrar impostos.