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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

MPMS dá 180 dias para Campo Grande apresentar plano contra fila de 25 mil exames

Há registros de pacientes aguardando pelo procedimento há oito anos, desde 2018

Michelly Perez - 02/04/2026 • 08:56

Foto: Marcos Maluf

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) decidiu elevar o tom contra o gargalo crônico na saúde pública da Capital. O órgão deu um prazo de 180 dias para que o Município e o Estado apresentem um plano de ação detalhado, com metas e cronogramas específicos, para reduzir a fila de exames diagnósticos que hoje atinge mais de 25 mil pacientes.

A medida, coordenada pela 76ª Promotoria de Justiça, busca alinhar a saúde local aos parâmetros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que classifica como “excessiva” qualquer espera que ultrapasse a marca de 100 dias.

O abismo dos números

Os dados colhidos pelo MPMS revelam situações extremas. Enquanto a fila geral acumula dezenas de milhares de pessoas, a espera por ressonâncias magnéticas com sedação chega a ser desoladora: há registros de pacientes aguardando pelo procedimento há oito anos, desde 2018.

O relatório ministerial destaca um vácuo preocupante em exames de coluna:

  • Coluna Torácica: Apenas 52 exames realizados nos últimos seis meses.

  • Coluna Lombossacra: Somente 134 procedimentos feitos no mesmo período.

Verba milionária sob lupa

O que intriga a Promotoria é o contraste entre o volume de recursos e a lentidão dos resultados. Recentemente, o programa estadual “Mais Saúde, Menos Fila” injetou R$ 45 milhões no sistema, somados a uma previsão de R$ 15,9 milhões em repasses federais.

Apesar da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) ter anunciado a contratação de 3,5 mil novas ressonâncias, o MPMS alerta que o ritmo de ampliação é insuficiente para absorver a demanda reprimida que se acumulou ao longo dos anos.

Além das planilhas, o Ministério Público está reunindo depoimentos que dão rosto à crise. São relatos de pacientes que convivem com dores crônicas e o agravamento de doenças devido à falta de um diagnóstico célere.

“O acesso rápido ao exame é o que define o sucesso do tratamento. A espera prolongada não é apenas um problema administrativo, é uma violação da dignidade humana”, ressalta o órgão.

Próximos passos

O plano exigido pelo MPMS deve conter:

  1. Cronograma de atendimento priorizando os casos mais antigos.

  2. Metas mensais de redução de fila.

  3. Transparência total sobre a aplicação dos recursos destinados aos mutirões.

Caso as medidas não sejam apresentadas ou consideradas insuficientes no prazo estipulado, o órgão poderá intensificar as medidas judiciais contra os gestores responsáveis.

Tags: Exames, Fila, saúde,