Mato Grosso do Sul acaba de conquistar um destaque inédito no cenário ambiental brasileiro. O Estado é o único do país a cumprir todos os critérios de governança climática definidos entre os entes subnacionais. O dado faz parte do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, estudo divulgado pelo Centro Brasil no Clima.
Na prática, isso significa que MS não só planeja — mas executa políticas ambientais com metas, prazos e estrutura definida. E os resultados já começam a aparecer.
Avanços que fazem diferença
Um dos destaques está na destinação de resíduos sólidos. Em 2015, menos da metade dos municípios fazia o descarte correto. Hoje, esse número saltou para 85%, colocando o Estado entre os melhores do país.
Outro ponto importante é a regularização ambiental rural. Ao lado de Minas Gerais e Bahia, Mato Grosso do Sul implantou todas as etapas do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA).
Meta ousada: carbono neutro
Entre todos os estados brasileiros, MS tem a meta mais ambiciosa, a de se tornar carbono neutro até 2030.
Para isso, conta com instrumentos como:
- ICMS Verde
- Fundo Ambiental
- Fundo de Recursos Hídricos
- Fundo Climático
Além de políticas já em andamento, como inventário de emissões e planos estaduais de resíduos e recursos hídricos.
Estratégia e articulação
Segundo o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, o avanço é resultado de uma escolha política clara: crescer sem abrir mão da preservação. O Estado também criou a Política Estadual de Mudanças Climáticas e o Fórum Estadual, além de ações específicas como o plano de prevenção ao desmatamento no Pantanal.
Economia em crescimento
Os bons resultados ambientais caminham junto com indicadores econômicos. Mato Grosso do Sul está entre os estados com menor desigualdade de renda do país e teve o 2º maior crescimento do PIB em 2023 (13,4%)
Isso reforça a proposta de desenvolvimento sustentável — crescer sem degradar.
Desafios ainda existem
Apesar dos avanços, o Estado ainda enfrenta obstáculos importantes. Um deles é a recuperação de áreas degradadas. Hoje, são cerca de 12,3 milhões de hectares de pastagens com baixo ou médio vigor, que ainda precisam ser recuperados ou convertidos em sistemas mais sustentáveis.
Sinais positivos
Mesmo com desafios, os indicadores mostram avanço. O Pantanal registrou queda de 58,6% no desmatamento em 2024, um dos melhores resultados do país. Além disso, programas como MS Carbono Neutro, Carne Carbono Neutro e Rodovias Resilientes reforçam a estratégia de longo prazo.
O que isso significa na prática?
Para a população, os impactos são diretos:
- Melhor qualidade ambiental
- Mais segurança hídrica
- Produção mais sustentável
- E novas oportunidades econômicas
Mato Grosso do Sul mostra que é possível equilibrar desenvolvimento e preservação — e se posiciona como um dos protagonistas da agenda climática no Brasil.