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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Onça-pintada: Símbolo Brasileiro da Conservação da Biodiversidade

Esforço conjunto marca a luta e resistência em busca da preservação da espécie no Estado

Michelly Perez - 29/11/2024 • 11:23

Em Mato Grosso do Sul, o Dia Internacional da Onça-Pintada é celebrado nesta sexta-feira (29) é marcado pela preservação, graças ao trabalho de pesquisa das equipes do Instituto Homem Pantaneiro. A ação permite com que os felinos sejam monitorados mensalmente na região da Serra do Amolar, no trecho da rodovia BR-262, entre Corumbá e Miranda, e ao longo do rio Miranda.

Com base no acompanhamento de diferentes indivíduos já foi possível realizar a identificação de alguns animais. As rosetas das onças-pintadas são únicas e existem como uma digital, por isso existe essas possibilidade de individualização. Naquele território que forma um corredor de biodiversidade de quase 300 mil hectares, habitam a região o Acuri, a Borboleta, que é mãe de filhotes que estão completando dois anos de vida, Carandá e Bocaiúva. A partir dessa idade, os indivíduos tendem a se separar da mãe.

No trecho da BR-262, entre Corumbá e Miranda, o monitoramento vem sendo feito para avaliar resultados de mitigação no atropelamento de animais selvagens no período de estiagem. As armadilhas fotográficas instaladas em pontes de vazante que foram limpas para avaliar a passagem da fauna surtiu evento nesse período em que há menos água no Pantanal.

Por conta da onça-pintada ainda há a realização na região da Serra do Amolar, no Pantanal, dois grandes projetos de conservação. Um deles, já certificado, é o REDD+ Serra do Amolar, que é voltado para créditos de carbono e realização de medidas para desmatamento evitado. Outro projeto em fase de certificação é o Créditos de Biodiversidade Serra do Amolar. Em ambos os casos, esses projetos atuam como soluções baseadas na natureza e ajudam a gerar recursos financeiros com Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).

ECOTURISMO

A coexistência entre a onça-pintada e as comunidades tradicionais e indígenas permite também uma outra vertente econômica que é o uso do território conservado para promover atividades de ecoturismo. No Pantanal, a observação de animais é um potencial meio para geração de renda envolvendo toda a cadeia do turismo.

PESQUISA

A espécie considerada em extinção vive sob forte ameaça no Pantanal, tais como a caça, perda de habitat, prática de ceva (alimentação irregular para animais selvagens), atropelamento em rodovias, tráfico de partes do corpo, bem como a disseminação de fake news que fomentam crimes contra esses animais.

O médico-veterinário e pesquisador associado do IHP, Diego Viana, participou da reunião neste mês de novembro do Plano de Ação Nacional, o PAN, com outras 60 pessoas de diferentes instituições que atuam em todos os biomas brasileiros.  “Discutimos vários aspectos da conservação desses animais, as principais ameaças atualmente e quais regiões são prioritárias. É uma construção nacional que vai ter a chancela do ICMBio e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática”, disse.

A parceria entre MS e Mato Grosso possibilitou a união de 13 diferentes instituições, incluindo o IHP, num grupo de trabalho Coexistência Humano-Onça no Pantanal. No final de outubro, ocorreu um workshop para estruturação organizada pela WWF e Aliança 5P. Além disso, no primeiro semestre de 2024, o IHP já havia promovido o 1º Seminário Estratégias de Ações Integradas para Conservação de Felinos para discutir com forças de segurança medidas de conservação da onça-pintada.  (com informações IHP)