Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
MapBiomas confirma ainda que o bioma tem o maior número de municípios com perdas de áreas naturais
Michelly Perez - 21/08/2024 • 09:44
Pesquisa do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (21), revela que o Pantanal passou de 21% de superfície de água em 1985 para 4% em 2023. A extensão e rapidez da mudança da cobertura e uso da terra são alguns dos fatores que elevam o risco climático.
Há alguns meses, o Pantanal se tornou o centro das atenções do país e do mundo, com o maior registro de queimadas, somente em agosto já foram confirmados 3.106 focos de incêndio no bioma de Mato Grosso do Sul, no ano o volume já é de 7862 registros, com base nos satélites do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Como consequência, as áreas de vegetação herbácea e arbustiva aumentaram de 36% em 1985 para 50% do bioma em 2023 – mas apenas dois por cento da cobertura vegetal do Pantanal (200 mil hectares) são de vegetação secundária.
“A vegetação secundária já está classificada como floresta, incluída na área nativa em 2023. Então, ele pode ter sido desmatada ou teve uma queima severa e foi mapeada como pastagem, mas depois que ela recupera ela volta a ser considerada como floresta”, informou o coordenador técnico da Mapbiomas, Marcos Reis Rosa.
Com isso, a pesquisa indica que o bioma com mais municípios com perdas de áreas naturais foi o Pantanal, com 82%. Dado que também chama a atenção no relatório é que ao mesmo tempo em que a área seca cresceu no Pantanal, a agropecuária passou de 5% para 17% de área ocupada para a atividade.
“A perda da vegetação nativa nos biomas brasileiros tende a impactar negativamente a dinâmica do clima regional e diminui o efeito protetor durante eventos climáticos extremos. Em síntese, representa aumento dos riscos climáticos. Uma parte significativa dos municípios brasileiros ainda perde vegetação nativa; mas, por outro lado, os últimos quase ⅓ dos municípios brasileiros estão recuperando áreas de vegetação nativa”, comenta o coordenador geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.
Nos últimos 39 anos, o Brasil perdeu 110 milhões de hectares dessas áreas, o que equivale a 13% do território do país, os outros 20% já haviam sofrido mudança anteriormente. Esse resultado também leva em consideração o mapeamento de vegetação nativa recuperada a partir de 2008, quando Código Florestal foi regulamentado pelo Decreto nº 6.514 que estabeleceu mecanismos de sanção e compensação por danos ambientais.
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