Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Operação investiga grupo suspeito de inflar valores e obter decisões judiciais para desviar recursos de neurocirurgias
Michelly Perez - 16/06/2026 • 12:00
Foto: PCMS
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR), deflagrou nas primeiras horas desta terça-feira (16) a Operação “Neuro Complexus”, que apura um suposto esquema criminoso de fraudes na judicialização da saúde envolvendo pedidos de recursos públicos para procedimentos médicos de alta complexidade.
A ação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As investigações começaram a partir de um levantamento do Núcleo Estratégico da Procuradoria de Saúde da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MS), que identificou um padrão considerado suspeito em ações judiciais voltadas ao custeio de neurocirurgias.
Após cerca de um ano e meio de apurações, a Polícia Civil aponta que o grupo investigado utilizava decisões judiciais para obter o bloqueio de recursos públicos, com valores superiores aos praticados no mercado para procedimentos médicos.
Segundo os investigadores, os mesmos profissionais da área da saúde apareciam de forma recorrente nas ações, atuando na elaboração de orçamentos, realização das cirurgias e recebimento dos pagamentos. Também foi identificado que, a partir de 2022, ao menos 40 ações foram ajuizadas por uma mesma advogada com pedidos de bloqueio de verbas para neurocirurgias consideradas urgentes.
De acordo com a investigação, a atuação coordenada entre médicos, advogada, empresas do setor e um intermediador — servidor público aposentado — teria gerado vantagem econômica indevida estimada em R$ 6,5 milhões, além de prejuízo aos cofres públicos.
Nesta fase, a operação busca reunir novos elementos de prova para confirmar a possível prática dos crimes de organização criminosa, estelionato contra a administração pública, fraude processual e lavagem de dinheiro.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos notebooks, celulares, cartões de memória, documentos e cerca de R$ 222 mil em espécie.
A operação contou com apoio de equipes do GARRAS, da DECO e da DERF, além do acompanhamento da Comissão de Prerrogativas da OAB/MS durante diligências envolvendo a advogada investigada.
O nome “Neuro Complexus” faz referência à complexidade dos procedimentos médicos investigados, especialmente neurocirurgias, e à estrutura articulada entre os envolvidos para obtenção de recursos públicos por meio da judicialização da saúde.
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