Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Sisep garante que massa asfáltica precisa ser aplicada entre 110ºC e 177ºC para garantir qualidade
Michelly Perez - 23/02/2026 • 10:04
Foto: Imagem IA
Se você sentiu que dirigir por Campo Grande ainda parece um rali de aventura, a Prefeitura tem um número para tentar te convencer do contrário: 60 mil. Essa é a contagem oficial de buracos que a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sisep) afirma ter “aniquilado” desde o início de 2026.
Os números são dignos de medalha de ouro: em janeiro, foram 1,4 mil fechamentos diários; em fevereiro, outros 2,1 mil remendos por dia. Segundo o secretário Marcelo Miglioli, o número real pode ser ainda maior. Contudo, para o motorista que acabou de deixar o salário do mês na oficina alinhando o carro, a sensação é de que as crateras se reproduzem por esporos toda vez que o céu escurece.
Como manda a tradição da gestão municipal na Capital, quando o asfalto insiste em esfarelar, os olhos se voltam para o céu. A Sisep reforça que o grande desafio são as “chuvas intensas”.
Nesse sentido, o secretário explicou a logística quase astronômica para tapar um buraco: a massa asfáltica é exigente. Ela precisa estar em uma temperatura entre 110ºC e 177ºC. Se cair uma gota d’água ou se o solo estiver úmido, o material vira descarte.
Ou seja: para o asfalto de Campo Grande finalmente ficar liso, parece que precisaríamos de um deserto do Saara, já que qualquer sereno vira o álibi perfeito para a interrupção dos trabalhos.
Uma novidade na operação é a tática do “recorte”. Em vez de fazer vários curativos pequenos próximos uns dos outros — o famoso “asfalto dalmata” — as equipes agora recortam a via e unificam os buracos. A promessa é de mais qualidade e segurança, embora, na prática, o campo-grandense muitas vezes veja um buraco pequeno se transformar em um quadrado gigante recortado, esperando dias pelo asfalto que só vem “se o sol brilhar”.
Além disso, para evitar que o dinheiro do contribuinte escorra pela enxurrada, as empresas agora fazem pedidos fracionados às usinas, tentando adivinhar se São Pedro vai dar uma trégua de algumas horas. É uma gestão baseada na previsão do tempo: se a meteorologia errar, o asfalto sobra; se a prefeitura acertar, o buraco fecha (até a próxima tempestade).
E se o motorista esperava um asfalto seco para esta semana, as notícias não são animadoras: a Defesa Civil e o INMET emitiram um Alerta Amarelo para a Capital até a sexta-feira (27), com possibilidade de chuvas de até 50 mm/dia, acompanhadas de ventos intensos…. Alô, São Pedro!