Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
População seria isentada de pagamentos se o município aceitasse o repasse
Michelly Perez - 22/10/2024 • 11:14
Foto: Marcos Maluf
Ignorando o que matematicamente seria o melhor caminho. A prefeitura da Capital recusou a ajuda de R$ 9 milhões da força-tarefa composta pelo Senado Federal, Governo do Estado e Assembleia Legislativa, que isentaria o pagamento das parcelas das moradias da comunidade do Mandela, com uma construção credenciada, na qual o município custeou 100% da obra. Agora, os moradores deverão pagar mensalmente pelas casas. Na ânsia do município protagonizar todo projeto, até o deputado Lídio Lopes se manifestou para garantir o não apoio. Veja no vídeo:
Em junho deste ano, durante a entrega das primeiras moradias para as famílias que perderam tudo no incêndio que atingiu a comunidade. O diretor-presidente da Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), Claudio Marques, confirmou que a primeira parcela começaria a ser paga em 6 meses, com valores de R$ 225,25 para as famílias e de R$ 163,88 para quem é solteiro.
“Nós estamos entregando a primeira etapa e até agosto todas as famílias estarão nas suas casas. Daqui a 6 meses começam a pagar a primeira parcela”.
No dia 7 de dezembro, a diretora-presidente da Agehab (Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul) enviou à Emha ofício confirmando que o Estado teria interesse em fechar parceria com o município, com a construção de 87 casas para as famílias do Mandela.
Após o pedido de ajuda que teria sido feito dentro do gabinete de Adriane Lopes no dia 17 de novembro de 2023, onde foi informado que a Capital teria o terreno para a construção e recursos para apenas 100 casas.
Tais recursos do Estado seriam de uma emenda da senadora Soraya Thronicke. Contudo, no dia 12 de dezembro, a Agência Municipal de Habitação voltou atrás e informou que a prefeita Adriane Lopes faria o repasse integral do valor para a construção das casas.
A dispensa dos recursos chegou a ser questionada pela senadora: “O que não foi informado é que isso poderá gerar custos aos moradores”, reclamou Thronicke.
A reportagem da Revista A Foto questionou a Agência Municipal de Habitação sobre as datas exatas do início dos pagamentos e, até a publicação, não obteve retorno.
Para a Revista A Foto, a Emha confirmou que os moradores da antiga comunidade do Mandela começarão a pagar as parcelas de suas casas somente em 2025. Além disso, esclareceu que o município dedicou todos os esforços na busca por uma solução ágil para amparar todas as 187 famílias afetadas, as quais perderam seus lares no incêndio.
“Inicialmente, a Prefeitura não foi contatada nem informada sobre a disponibilidade de possíveis recursos do governo estadual, tomando conhecimento do ocorrido apenas por meio da imprensa. Diante dessa situação, outras alternativas foram prontamente consideradas e implementadas para oferecer o auxílio necessário às famílias atingidas de maneira fácil e rápida. Neste sentido, pela urgência no atendimento àquelas famílias, o Município conseguiu agilizar a construção e fazer a entrega antes do prazo estabelecido, sendo já entregues mais de 100 casas”, informou em nota oficial.
Além disso, reforçou que sem ter o conhecimento sobre os recursos estaduais, optou-se por proporcionar assistência às famílias afetadas por meio do programa Credihabita.
“Nesse contexto, recursos próprios do município foram mobilizados para atender às necessidades imediatas dessas famílias, sendo essa a ação em curso desde então. Todavia, reconhecendo a importância de otimizar o uso dos recursos estaduais disponíveis, a Prefeitura formalizou uma solicitação para realocar os recursos, visando atender necessidades emergenciais em outra comunidade em Campo Grande. A busca por essa distribuição eficiente dos recursos visa maximizar o impacto positivo e beneficiar da melhor forma possível as comunidades em situação de vulnerabilidade”, finalizou.
*****Matéria alterada para inclusão do posicionamento da Emha.