Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Responsáveis por unidades educacionais reclamam de valores superfaturados e obrigação de assumir responsabilidade
Marcos Maluf - 04/07/2024 • 15:09
Adriane Lopes durante o lançamento do que prometeu ser o maior pacote de obras da educação/ Foto:PMCG
Lançado como uma solução para os problemas estruturais das instituições de ensino municipais de Campo Grande, o ‘Juntos pela Escola’ é alvo de denúncias de diretoras e secretárias escolares. As informações foram apuradas pela Revista A Foto com as servidoras, que preferem o anonimato por medo de represálias da administração.
O projeto tem como objetivo investir R$ 40 milhões nas 205 escolas de Ensino Fundamental e Emei’s (Escolas de Educação Infantil), aproximadamente R$ 195 mil para cada. O valor é destinado para a reforma das instituições, visando melhor atender pais e, principalmente, alunos.

Projeto que seria para beneficiar alunos e pais, está tirando o sono dos responsáveis pelas escolas. Foto: Divulgação-PMCG
No lançamento do Juntos pela Escola, em abril do ano passado, a animação tomou conta dos servidores e responsáveis. Porém, com o passar do tempo, a disposição começou a virar preocupação, e muitas estão reclamando diretamente com a Semed (Secretaria Municipal de Educação) sobre os caminhos tomados pelo projeto.
São três as principais reclamações: as reformas feitas contra o que as instituições precisam, os custos elevados do trabalho, e a obrigação das diretoras e das APMs (Associações de Pais e Mestres) se responsabilizarem, assinando parte da documentação autorizando as intervenções.
Em um dos casos que chegou à reportagem, que manterá o bairro em sigilo a pedido dos denunciantes por medo de represálias, a servidora explica o que aconteceu:
“O pessoal da prefeitura veio aqui e fez a avaliação, falamos todas as nossas demandas. Depois chegaram e só informaram o que iriam fazer, que não tinha nada a ver com o que pedimos, e ainda por cima a um preço totalmente fora da realidade”, explicou ela, que já foi uma das muitas a ir reclamar na Semed, sem sucesso.
Segundo a denunciante, é previsto o gasto de praticamente R$ 150 mil na reforma de duas salas e a pintura da escola. “Daria pra fazer a escola inteira com isso”, disparou.
A mesma situação foi relatada por pelo menos outros quatro denunciantes de instituições municipais ouvidos pela Revista A Foto.
Outra preocupação é que, mesmo podendo indicar quem vai fazer o serviço, foi passado para os servidores que a APM que deve se responsabilizar pela obra. “E se der um problema com, sei lá, a Justiça, Ministério Público, eu que vou ter que responder?”, questiona uma presidente de Associação de Pais e Mestres, que não obteve essa resposta com a Semed.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Campo Grande na tarde do dia 4 de junho, mesmo assim, após um mês, ainda não obteve nenhum retorno.
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