Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Especialistas alertam que exageros podem trazer lesões, mal-estar e até riscos graves
Michelly Perez - 11/02/2026 • 10:12
Foto: Julia Larson
Com o Carnaval se aproximando, cresce a pressa para mudar o corpo em tempo recorde. O “projeto Carnaval” domina conversas, redes sociais e academias. Mas a busca pelo “shape de última hora” pode virar um risco quando envolve treinos excessivos, falta de descanso e uso de medicamentos sem prescrição.
As consequências vão de lesões e exaustão a taquicardia e efeitos mais graves, principalmente sem orientação profissional.
Inez Oliveira, docente de Educação Física da Estácio, faz o alerta: “Resultados imediatos dificilmente se tornam seguros. Todo protocolo de treinamento ou intervenção precisa ser orientado por profissionais capacitados”.
Um erro comum é aumentar carga e intensidade de forma brusca, especialmente para quem está voltando agora. Segundo ela, em um corpo “destreinado”, o excesso quase sempre termina em lesão.
“Até o controle da intensidade, carga e volume precisam ser periodizados. Sempre que um indivíduo provoca intensidade demais nos treinamentos sem um protocolo individual, vem a lesão”, reforça.
E o efeito pode ser o contrário do esperado:
“Aí acaba pausando três semanas, seis semanas, dependendo do que pode ocorrer”.
Ela também chama atenção para o uso indiscriminado de estimulantes e pré-treinos.
“O sujeito nem sabe se pode fazer uso, se tem alguma arritmia cardíaca ou alguma doença no coração. Isso pode gerar gatilhos e até provocar um infarto ou AVC”, alerta.
Com a proximidade do Carnaval, a urgência estética muitas vezes atropela a fisiologia, e é aí que moram os riscos com a procura pelas chamadas “canetas emagrecedoras”, alerta a biomédica Patrícia Pacheco.
“Essas medicações são ferramentas fantásticas para o tratamento da obesidade e doenças metabólicas, mas devem ser encaradas como um tratamento de saúde a longo prazo, e não como um acessório temporário.”
Segundo Patrícia, o uso sem orientação pode causar pancreatite, desidratação e perda acelerada de massa muscular.
“Sem o cálculo correto de proteínas, o corpo ‘devora’ os próprios músculos para obter energia, o que destrói o metabolismo a longo prazo”, alerta.
Entre os sinais de perigo estão dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tonturas e taquicardia. E o Carnaval pode mascarar os sintomas.
“A adrenalina da festa mascara muitos sinais. O álcool ‘anestesia’ a dor abdominal inicial, e a pessoa só percebe a gravidade quando o quadro já está crítico”, afirma.
Não existe milagre. “Todo e qualquer resultado não é construído em poucas semanas. É um trabalho de meses, de treino individualizado”, diz Inez. “O resultado é longevidade no esporte”.
Já Patrícia reforça que, em poucas semanas, é possível melhorar disposição e reduzir inchaço com hábitos simples: menos ultraprocessados, menos sal e mais água. “Beber pelo menos 35 ml de água por cada quilo de peso corporal”, recomenda.
No fim, o melhor projeto Carnaval é aquele que garante energia para a folia — sem colocar a saúde em risco.