Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Estrutura inédita no Hospital Universitário vai armazenar células com potencial para pesquisas em medicina regenerativa, neurologia e cardiologia
Michelly Perez - 02/06/2026 • 08:33
Foto: divulgação
Mato Grosso do Sul será sede do primeiro biobanco público de células-tronco mesenquimais da Rede HU Brasil. O projeto será implantado no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS) após receber aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).
A iniciativa representa um avanço para a pesquisa científica desenvolvida dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) e abre caminho para estudos voltados à medicina regenerativa e ao desenvolvimento de futuras terapias avançadas.
As células-tronco mesenquimais são conhecidas pela capacidade de se transformar em diferentes tipos celulares e por atuar na regulação do sistema imunológico. Essas características despertam interesse da comunidade científica em pesquisas relacionadas a doenças neurológicas, cardíacas, inflamatórias e metabólicas.
Segundo a bióloga e responsável técnica pelo biobanco, Thais Farias, as células poderão ser obtidas a partir da polpa de dentes de leite e do cordão umbilical, sem necessidade de procedimentos adicionais para as pacientes atendidas na maternidade do hospital.
“Elas apresentam a capacidade de se transformarem em outras células quando atingem um tecido doente, além de regular o sistema imunológico em locais de inflamação”, explica.
Além das células-tronco, a estrutura também armazenará amostras de sangue, soro e plasma, ampliando as possibilidades de pesquisa em diferentes áreas da saúde.
As amostras passarão por processamento especializado e serão mantidas em ambiente com controle rigoroso de qualidade e rastreabilidade. O acesso ao material dependerá de aprovação ética e científica, garantindo segurança e transparência no uso das amostras.
Embora não tenha finalidade assistencial imediata, o biobanco é considerado estratégico para a chamada pesquisa translacional, que busca transformar descobertas laboratoriais em tratamentos e tecnologias capazes de beneficiar pacientes no futuro.
A expectativa é que as primeiras coletas tenham início dentro de três a quatro meses, após a chegada dos insumos necessários para operação da estrutura.
O projeto nasceu a partir do Centro de Processamento Celular do Humap-UFMS, inaugurado em 2021, e coloca Mato Grosso do Sul na vanguarda da pesquisa biomédica realizada em hospitais universitários federais.
Para os pesquisadores, o novo biobanco fortalece a capacidade de produção científica da instituição e amplia as oportunidades para o desenvolvimento de conhecimento e inovação em saúde dentro da rede pública.
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