Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Dados da PeNSE 2024 colocam o estado entre os líderes nacionais no contato precoce com tabaco e dispositivos eletrônicos
Michelly Perez - 26/03/2026 • 08:25
Foto: akronchildrens
Mato Grosso do Sul acende um alerta preocupante quando o assunto é saúde dos jovens. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 revelam que o Estado tem o segundo maior percentual de estudantes que já experimentaram cigarro na vida, atingindo 27,7% dos adolescentes entre 13 e 17 anos — atrás apenas do Acre.
Mais do que o número em si, o que chama atenção é a precocidade do contato com o tabaco. Em MS, 16,7% dos estudantes afirmaram ter experimentado cigarro pela primeira vez até os 13 anos, o maior índice do país. O hábito aparece de forma semelhante entre meninos e meninas, mas é mais frequente entre alunos da rede pública.
O consumo recente também preocupa. O percentual de adolescentes que fumaram nos 30 dias anteriores à pesquisa subiu de 6,8% em 2019 para 8,4% em 2024, indicando que, além de experimentar, parte dos jovens mantém o hábito.
Mas é no universo dos dispositivos eletrônicos que o cenário se agrava ainda mais. O Estado lidera o ranking nacional: 48,2% dos estudantes já experimentaram cigarros eletrônicos, como vapes e pods. O uso é ainda mais alto entre meninas e estudantes da rede pública, mostrando uma mudança no perfil de consumo e popularização desses dispositivos entre adolescentes.
O narguilé também aparece como porta de entrada: 32,5% dos jovens já experimentaram, colocando MS entre os estados com maior adesão a essa prática.
Apesar de uma queda em relação a 2019, o consumo de bebidas alcoólicas ainda faz parte da realidade de mais da metade dos adolescentes sul-mato-grossenses. Ao todo, 56,4% já experimentaram álcool alguma vez.
A iniciação precoce também se repete: 32,9% dos estudantes tiveram o primeiro contato com bebida alcoólica antes dos 14 anos. Já o consumo recente atinge 24,6% dos jovens, sendo o terceiro maior percentual do país.
Outro ponto de atenção é o consumo abusivo: 22,4% dos adolescentes que beberam recentemente ingeriram cinco ou mais doses em uma única ocasião. Ainda que esse número tenha caído em relação a 2019, ele evidencia comportamentos de risco que persistem.
Em contraste com o avanço do cigarro eletrônico e a permanência do álcool, o uso de drogas ilícitas apresentou redução. Em 2024, 8,3% dos estudantes relataram já ter experimentado substâncias como maconha, cocaína e outras drogas — uma queda significativa em relação à edição anterior.
O uso recente de maconha também diminuiu, passando de 5,8% em 2019 para 2,8% em 2024.
Apesar desse recuo, especialistas alertam que o conjunto dos dados revela um cenário complexo: menos drogas ilícitas, mas mais exposição precoce a substâncias lícitas e dispositivos eletrônicos, que muitas vezes são vistos como menos nocivos — o que não é verdade.
Os números da PeNSE 2024 mostram que o contato com substâncias psicoativas acontece cada vez mais cedo e, muitas vezes, dentro de um ambiente de normalização entre os jovens. O desafio, agora, envolve escola, família e políticas públicas para frear uma tendência que pode comprometer a saúde de toda uma geração.
Tags: cigarro, Estudantes, saúde,