Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Da redação - 29/11/2023 • 17:03
Arquivo pessoal
A pandemia deixou um vazio em muitas casas, uma delas a da Súzan Benites que perdeu os pais e o irmão para a doença, em Campo Grande. Em quase mil dias de saudades, a jornalista encontra na música forças para enfrentar a dor.
Rafael não apenas compartilhava uma forte conexão familiar com Súzan, mas também uma paixão compartilhada por música. Eles eram mais do que irmãos; eram amigos inseparáveis, conectados pelas batidas e acordes de suas bandas favoritas.
Desde a trágica perda de Rafael para a Covid-19, Súzan enfrentou um caminho desafiador, onde cada dia se tornou uma batalha emocional.
Entre tantas publicações sobre a dor da perda, a editora de economia compartilhou que, após 989 dias sem a presença física do irmão, a música se tornou um refúgio e uma ferida ao mesmo tempo.
A banda que mais ouviu nesse período foi Charlie Brown Jr., uma escolha que representa tanto a união quanto a dor da ausência de Rafael, já que essa era a única das suas bandas favoritas que não estava ligada a ele.

“Algumas vezes me faz bem, outras só me lembram o quanto é difícil estar aqui sem você”, expressou Súzan, refletindo sobre como as melodias que uma vez compartilharam agora a transportam para uma montanha-russa emocional.
Rafael não apenas ouvia música, mas a vivia. Súzan recorda como ele dominava vários instrumentos, incluindo violão, guitarra, ukelele e baixo. A música era a trilha sonora de suas conversas, churrascos e momentos especiais compartilhados.
Uma promessa musical, irem juntos ao show de uma das bandas favoritas, Coldplay. “Eu disse a ele que no próximo show do Coldplay ele iria comigo, mas não deu tempo”, lamentou.
Entre as bandas que compartilharam, Pearl Jam, Nirvana, Coldplay e Alice in Chains permanecem como pilares musicais fortalecendo a jornalista diante da perda.
A melhor lembrança, o dia em que assistiram juntos a um show do Pearl Jam em 2018. “A melhor lembrança da minha vida”, afirma.

Eternizado nos gostos e nas canções, Súzan carrega agora o irmão, não só no coração, mas também na pele em tatuagem simbolizando a ligação eterna entre eles.
A música, que antes era um elo inseparável entre os dois, agora serve como um lembrete constante do que foi perdido.