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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Rompimento de barragem tende a provocar a extinção de peixes nativos

Especialista destaca que esperança está na conexão com outras regiões que pode favorecer a retomada de espécies na região

Michelly Perez - 23/08/2024 • 10:46

Foto: CCR MS Via

Espécies invasoras vindas do lago do condomínio de luxo podem causar a extinção de algumas espécies nativas nos rios Estava e no Ribeirão Botas.

Isso ocorreu após o rompimento da barragem que abrigava várias espécies consideradas invasoras para o perfil dos rios ao redor.

Quem explicou a teoria para a Revista A Foto foi, Douglas Alves Lopes, biólogo, mestre em Biologia Animal e doutorando em Biodiversidade, especialista em peixes de água doce da América do Sul.

“Quando se tem o rompimento da barragem se tem um impacto gigantesco que acontece de uma só vez, com consequências catastróficas, igual observamos em barragens de rejeitos, sem ter os metais contaminantes. Imagina que um volume gigantesco de água que estava represado por muito tempo e aquilo é totalmente liberado de uma única vez, então a água está totalmente carregada de sedimentos que estavam decantados no fundo da barragem, ele é liberado e chegando no ambiente pequeno certamente as espécies mais sensíveis certamente morrerão, os peixes serão carregados, chocados contra resíduos, outros vão morrer pela baixa qualidade da água”, lamenta.

O especialista relembra que quando se constroem as represas um dos intuitos é a atividade recreativa e de pesca e alguns grupos de peixes são mais favorecidos e outras, não.

“A construção de barragem consiste basicamente em um barramento em determinado trecho de um rio ou ambiente aquático, com fluxo contínuo e corrente, esse tipo de barramento muda muito as condições ambientais do lugar, então a água perde o seu fluxo, após os barramentos temos uma redução considerável no oxigênio, o aumento da temperatura da água, decantação dos sedimentos e embora pareça interessante ter uma água mais clarinha, esse fenômeno favorece o surgimento de algas e vegetação aquática e normalmente as espécies nativas, desaparecem da região”, pontua o especialista.

Segundo informações do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), os rejeitos da barragem do condomínio foram para no Rio Estaca e um pouco chegou ao Ribeirão Botas.  Segundo Douglas, os impactos deverão ir muito além desses pontos.

“Como os riachos têm ligação com outros rios maiores e riachos que não foram afetados pelo rompimento, ao longo do tempo é esperado que as populações voltem a ter os indivíduos recolonizando, mas temos um efeito a longo prazo que é um fenômeno biológico, que é a introdução de especeis, muito provável que em função de acontecer em muitos lugares, nessa represa fossem cultivados tilápia, tucunaré e espécies invasoras, com esses animais liberados sem nenhum controle no ambiente natural, eles têm grande probabilidade de se manter e se reproduzir no ambiente, um enorme problema, já que elas vão competir com as espécies nativas”, finalizou.

 

Tags: Barragem, Fauna, Rompimento,