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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

Sem marcapasso, sem cirurgia e sem prazo: crise na saúde deixa pacientes à espera

Falta de dispositivos cardíacos na rede pública obriga pacientes a ficarem internados por semanas

Michelly Perez - 11/02/2026 • 09:14

Foto: Marcos Maluf

A saúde pública de Campo Grande enfrenta mais um problema grave. Está faltando marcapasso, cardiodesfibrilador (CDI), baterias e geradores na rede do SUS, conforme denúncias recebidas pela Defensoria Pública do Estado.

Enquanto isso, pacientes seguem internados, esperando por um procedimento que, em muitos casos, deveria permitir alta no dia seguinte.

Diante da situação, a Defensoria abriu um Procedimento para Apuração Preliminar (PAP). O objetivo é entender por que os dispositivos não estão disponíveis e quem é responsável pelo desabastecimento.

Segundo o Núcleo de Atenção à Saúde (NAS), no fim de 2025 aumentaram os pedidos de ajuda. Muitos pacientes estavam internados apenas aguardando o implante do aparelho cardíaco.

Em alguns casos, a espera passou de uma semana. Atualmente, há registro de paciente há mais de 30 dias no hospital só aguardando o marcapasso.

Ou seja: o problema não é falta de leito. É falta de material.

Antes do recesso do Judiciário, cinco casos graves foram identificados na Santa Casa, hospital referência em cardiologia. Após pressão da Defensoria junto à Secretaria de Estado de Saúde, os pacientes foram transferidos e conseguiram fazer a cirurgia.

Problema recorrente

No entanto, depois do recesso, o problema continuou. Novas ações judiciais foram ajuizadas. Em algumas situações, a Justiça determinou até o sequestro de valores públicos para garantir a realização dos procedimentos.

A Santa Casa informou que enfrenta dificuldades financeiras para repor o estoque completo dos dispositivos. A compra estaria sendo feita de forma gradual. Porém, na prática, isso reduz a capacidade de atendimento.

Embora outros hospitais realizem parte das cirurgias, eles não são os principais contratualizados pelo SUS para esse tipo de procedimento de alta complexidade.

Agora, além da Santa Casa, também estão no foco da apuração o Município de Campo Grande, a Secretaria de Estado de Saúde, o Hospital Regional e o Hospital Universitário.

A Defensoria quer saber quais medidas concretas serão adotadas para resolver o problema de forma definitiva — e não apenas caso a caso, via Justiça.

Enquanto isso, pacientes seguem esperando. E, em situações cardíacas, esperar pode custar caro.

Tags: Crise, marcapasso, saúde,