Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Iniciativa é responsável pelo desenvolvimento de biocombustível a partir de plantas aquáticas
Michelly Perez - 24/06/2025 • 14:48
Foto: reprodução- Fiems
O Instituto Senai de Inovação em Biomassa conquistou a primeira patente em pesquisa. O direito exclusivo, com publicação nos Estados Unidos, foi concedido ao projeto Macrofuel. Inédita, a iniciativa é responsável pelo desenvolvimento de biocombustível a partir de plantas aquáticas que impactavam em reservatórios da região, na divisa entre os estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Para o diretor do ISI Biomassa, João Gabriel Marini, a patente representa um marco para o setor de inovação tecnológica no Brasil. “É um orgulho enorme para o ISI Biomassa ter uma tecnologia desenvolvida no instituto patenteada. Isso mostra que estamos nos aproximando do estado da arte e gerando valor para nossos parceiros”.
A tecnologia também teve sua patente concedida no Brasil pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), fortalecendo a proteção intelectual e estratégica da inovação no mercado nacional.
Responsável pelo projeto, o pesquisador industrial Paulo Renato dos Santos afirma que a concessão de uma patente demonstra que o ISI Biomassa foi capaz de desenvolver uma metodologia de transformação de biomassa inédita, com aplicação prática e relevância industrial.
“Isso valida o instituto como um importante polo de pesquisa e desenvolvimento com expertise técnico-científica. Representa também um avanço no desenvolvimento de tecnologias limpas, renováveis e alinhadas com a bioeconomia circular”, explicou.
Conforme o pesquisador, o reconhecimento permite avanços de pesquisa e agiliza o processo de acesso à tecnologia pelo público. “A patente cria uma base sólida e protegida para continuar evoluindo com o processo tecnológico, podendo se aprofundar em estudos com mais segurança, sabendo que os resultados estarão resguardados, além de desenvolver versões aprimoradas ou novos produtos derivados, possibilitando testar a aplicação dessa metodologia em diferentes escalas ou setores, ampliando seu potencial”.
O projeto “Macrofuel: Aproveitamento Energético de Bio-Óleo Pirolítico de Macrófitas Aquáticas para Produção de Biocombustível” foi lançado em julho de 2019.
Segundo Paulo Renato, o objetivo principal do projeto foi desenvolver um processo de obtenção de biocombustível similar ao diesel (diesel verde), através da tecnologia de tratamento catalítico de bio-óleo oriundo da pirólise rápida de macrófitas aquáticas presentes em reservatórios de usinas hidrelétricas da CTG Brasil, mais especificamente dos reservatórios de Jupiá e Ilha Solteira, próximos a Três Lagoas, para possibilitar o emprego em motores convencionais a diesel.
Parte do projeto consistiu no plano de manejo das macrófitas aquáticas e a produção de biocombustível, convertendo estas plantas em bio-óleo por meio de pirólise rápida, um processo de decomposição térmica em altas temperaturas. “Além de oferecer uma solução energética sustentável, o projeto buscou mitigar os impactos negativos das macrófitas na operação das hidrelétricas, que resultavam em obstruções e consequente elevado custo de manutenção”, explica o pesquisador.