Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Após a morte de influenciador digital, cardiologista do Humap-UFMS esclarece que sinal isolado tem baixa precisão
Michelly Perez - 19/02/2026 • 08:02
Foto: Reprodução/Redes sociais
Uma pequena dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como Sinal de Frank, voltou a dominar as conversas nas redes sociais e consultórios. O motivo? A associação dessa marca estética com o risco de doenças cardiovasculares, tema que ganhou repercussão após o falecimento do influenciador Henrique Maderite, vítima de um infarto.
Embora o sinal desperte curiosidade, especialistas alertam: a presença da prega não é um veredito, nem sua ausência é garantia de imunidade. O Dr. Delcio Gonçalves da Silva Junior, cardiologista do Humap-UFMS, explica que a acurácia desse marcador é considerada baixa pela medicina moderna.
Descrito na década de 1970 por um pneumologista norte-americano, o sinal foi inicialmente ligado à obstrução das artérias coronárias. No entanto, o Dr. Delcio esclarece que essa relação se baseia majoritariamente em estudos observacionais antigos.
“A capacidade de identificar com segurança pessoas com doenças graves através desse sinal é muito ruim”, afirma o cardiologista. Segundo o especialista, a ciência atual mostra que:
Falso Negativo: A maioria das pessoas que sofrem eventos cardíacos fatais não apresenta a dobra.
Baixa Previsibilidade: Menos de 20% das pessoas que possuem a prega diagonal têm chances reais de desenvolver um evento cardiovascular severo.
Diferente da dobra na orelha, que pode ser apenas um sinal de envelhecimento ou perda de colágeno, outros marcadores físicos são levados mais a sério na estratificação de risco genético, como:
Halo Corneano: Um arco acinzentado ao redor da íris.
Xantelasmas: Depósitos de gordura nas pálpebras ou tendões (podem indicar colesterol alto familiar).
Para o Dr. Delcio, o foco do paciente deve estar no Check-up Clínico e não em sinais isolados. A identificação real do risco depende de uma combinação de fatores analisados em consultório:
Histórico Familiar e Idade: Genética e tempo de exposição a riscos.
Hábitos de Vida: Tabagismo, sedentarismo e alimentação.
Exames de Imagem: Eletrocardiograma, teste ergométrico e angiotomografia coronária.
Escores de Risco: Pontuações matemáticas que médicos usam para prever a chance de um infarto nos próximos anos.
“Nas consultas, fazemos a estratificação de risco de cada indivíduo. Conforme essa pontuação, montamos uma estratégia que envolve desde mudanças no estilo de vida até medicação específica”, pontua o médico.
As doenças cardiovasculares ainda são a principal causa de morte no mundo. Se você notou o Sinal de Frank em si mesmo ou em alguém próximo, não entre em pânico, mas use isso como um lembrete para agendar sua consulta anual. A prevenção continua sendo o melhor “sinal” de uma vida longa.
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